O gigante da floresta de Juquitiba

Coluna MARCOS ROSSI – Jornalista e Ambientalista – atlanticafilmaes@globo.com

Publicado no Jornal  O Pardal edição nº 2

 

Minha rua é a mais importante do planeta. Lá não se vai a lugar algum que mereça citação.
Lá mora um gigante, muito grande, majestoso de galhos mil. Como cresce, cresce à luz dos meus olhos que tem a sua cor…
Meu Jequitibá, insuperável, nunca poderia imaginar que fosse assim… Plantei-te sem nenhuma pretensão ao lado de outros teus irmãos. Tu eras tão pequeno, com menos de um palmo, já foste menor que um dedo, uma unha, um nada.
Plantei dois, mas um sofreu demais com a molecada inquieta. Mas está lá, se arrastando pelo ar. Suas folhas já tingem de verde o ar o vento e o tempo.
O outro teve mais sorte, despencou pra cima, como a chuva despenca pra baixo. Cresceu demais, adubado com minha verde esperança…
Tenho noticias de um irmão seu que é antes de Cristo, tem 3000 anos, lá em Santa Rita, e você, meu gigante, quanto tempo viverá? Certamente muito mais que eu, muito mais que todos nós que te vemos agora. Dizem que chegará a 60 metros de altura, com 12 metros de diâmetro, igual ao teu irmão de Sandó na Bahia, vai entupir a rua, não tem problema lá não se vai a lugar algum. Talvez façam um túnel no seu tronco, que pena, que vou ver somente de longe. Mas isto é pura firula, hoje te vejo alem da atmosfera a frear satélites e capturar lixo espacial com seus galhos. Você é tecnológico. Ninguém te segura mais! Você é grande mesmo! Magnífico! Como eu acredito em você. Meu Jequitibá.
Quanta batalha travou para te ver crescer. Quantas vezes engessei seus galhos quebrados. Muita ortopedia, dores e sofrimento. Agora, faça justiça, faça bonito. Vencemos…
Hoje você já aninha sabiás, beija-flores e louvores. Hoje te vejo com despreocupação, pois se um dia você cair todo mundo saberá. Arrastará uma floresta de sentimentos e culpas. A humanidade te acompanhará de pé ou deitado, não tem jeito, te acompanhará com direito a hino nacional e a pedir musica no Fantástico. Queria ter a veia poética de Sabino de Campos cantando o seu Jequitibá:

“Maldito aquele que te ofenda ou corte!
Glória da terra verde e dadivosa,
Alma e sangue dos filhos de Amargosa,
A cujo apelo tua voz responde.”

Tudo que digo sobre você sempre será insuficiente. Quando te chamo de meu é porque te vi crescer, um pouquinho só, não é propriedade, quem me dera ser dono de alguma coisa. Mas me sinto estranho, ao te ver tão independente de mim. Saiba que sempre estaremos juntos, porque somos fruto da mesma espécie… Meu Jequitibá, o único gigante da floresta de Juquitiba.

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