A Responsabilidade de Viver em Juquitiba.

Você se vê em Juquitiba e talvez lhe ocorram algumas perguntas: Onde estou e porque vim parar aqui? Alguns vivem aqui por opção, outros porque aqui nasceram e outros não conseguem ir embora. O que queremos fazer aqui, talvez não podemos, e o que podemos ou queremos, às vezes não devemos fazer num lugar como este. A velha questão: querer, poder e dever.
A primeira certeza é: “vivemos num lugar especial, sagrado, numa APM , Área de Proteção aos Mananciais, protegida pela lei estadual 898/75, e o comportamento das pessoas que optam por viver aqui também deve ser diferenciado como diferenciado é este lugar”.
Você não imagina o tamanho de nossa responsabilidade de viver, morar, estar por aqui, mesmo por algumas horas ou até passando pela BR 116.
Isto mesmo, aqui é um lugar de pessoas especiais, muito longe do que somos e do que vimos acontecer até o momento. Especial, que para mim seria o normal, é uma pessoa que pratica os preceitos de civilidade. Poderia definir civilidade como: “conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidadãos adotam entre si para demonstrar mútuo respeito e consideração; boas maneiras, cortesia, polidez, com as pessoas, os animais, com o meio ambiente”.
Onde existe civilidade, o resto acontece naturalmente, não precisamos de lei, polícia, político, juiz, promotor, advogado e muitos outros. Quanto maior a civilidade menor é a necessidade destes e outros agentes sociais. Da prática da civilidade nascem todas as virtudes e a prosperidade das pessoas.
No município de Juquitiba a desordem é gritante. Por toda parte vemos o lixo, os entulhos, carros abandonados, construções em ruínas ou inacabadas, estradas intransitáveis, ruas esburacadas, aqui se lê: Rua do Pronto Socorro, no centro, imaginem as demais.
Convivemos com pessoas em estado de miserabilidade com problemas mentais e alcoolismo, abandonadas à própria sorte. Uma quantidade enorme de cães em estado deplorável, soltos pelas ruas, misturando-se às pessoas, especialmente às crianças, proliferando a contaminação.
Muitas barracas, quiosques e bares sem a menor condição de funcionamento, pois tudo isto deveria ser organizado pelo poder publico, a exemplo dos inúmeros lavadores de carros ás margens dos nossos rios que deveriam ser devidamente licenciados. Vendedores ambulantes pela cidade aliados a lojas do comercio, com sistema de som inconveniente.
As praças, pontos de ônibus e outros espaços públicos estão abandonados e deteriorados. São promovidos rituais religiosos nas estradas e cursos d’água deixando lixo e animais mortos.
Faixas, cartazes, tapumes, calçadas esburacadas servindo de estacionamento de carros e exposição de mercadoria atrapalhando a mobilidade e colocando em risco as pessoas que procuram as ruas para transitar.
Descarte e queima de lixo em qualquer lugar pelos moradores, apesar da coleta regular. Loteamentos e ocupações clandestinas em área de risco. Terrenos baldios, usados para especulação imobiliária, até no centro da cidade, sem muros calçadas, invadidos pelo mato, com acumulo de lixo, ratos e insetos nocivos à saúde pública. Rejeitos de serrarias e outras atividades.
Já tivemos um hospital e maternidade, o que aconteceu? O Fórum ainda é sonho, parece que ninguém quer realizar. Estamos pagando aluguel de um prédio há meses desocupado, sem solução.
Muitos se beneficiam de nossos recursos naturais sem nenhuma contrapartida como é o exemplo da concessionária da BR 116, a Autopista, que sequer conseguiu fazer um trevo decente para Juquitiba e sobrecarregam o pronto socorro com as vítimas de acidentes.
A imunda Sabesp faz buracos pela cidade toda e não os tapa corretamente, o esgoto escorre pelas ruas, calçadas e córregos a céu aberto para o rio São Lourenço, sem tratamento, espalhando doenças por toda parte. Com o confisco e transposição de 6,7 metros cúbicos de água por segundo, o projeto Sabesp-SPSL conseguiu trazer pra cá uma legião de trabalhadores e outra legião de problemas para o município. Os trabalhadores, agora demitidos, muitos perambulam por ai.
A CBA que gera energia aqui há 60 anos com uma contrapartida pífia, sendo sonegadores contumazes de impostos. Diga-me um único legado que a CBA deixou até o momento para Juquitiba em todo este tempo de exploração? Por que ninguém se preocupou em executar a CBA? Um dia te conto.
Temos ainda a Miracatiba, sucessora da Soamin, lembra? Cadê este pessoal, sumiu. Miracatiba que está aí com cara de “limpinha”, só que lava cerca 30 ônibus, todas as noites às margens do rio São Lourenço, na cara de todo mundo, CETESB, Prefeitura, Ministério Publico etc. Sobre a qualidade do transporte, sem comentários…
No rio Juquiá, no local conhecido como Cachoeira do 72, já morreram mais de 80 pessoas. Neste local, que deveria ter sido interditado por motivos de segurança, não existe sequer uma única placa de “perigo de vida”.
Juquitiba não tem um projeto de cidade, de urbanismo planejado. Tudo acontece à revelia da forma como as pessoas desejam, sem a menor interferência da gestão pública. Ninguém organiza coisa alguma ou fica responsabilizado pela inoperância. Neste cenário de total degradação ambiental e humana, com características de irreversibilidade, atropela-se o crescimento populacional e a demanda de serviços públicos.
Você pode mudar daqui, o que também é bom, mas se você decidir continuar por aqui comece a se acostumar com sua responsabilidade. A nossa responsabilidade é esta: PROMOVER A CIVILIDADE EM JUQUITIBA.
Qual é o caminho em busca da civilidade? Só existe um, EDUCAÇÃO para as crianças e o rigor da LEI para os adultos. Enquanto isto não acontece, a cidade vai naufragando na desordem.

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