
Isabela Mattos/Colaboração
A polarização polÃtica que tomou conta do Brasil também tem reflexos nas ruas. Nos últimos dias, o Jornal Imparcial recebeu relatos de trabalhadoras que atuam em atividades de campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) e que afirmam estar sendo alvo de ofensas, provocações e situações de constrangimento durante o trabalho.
As mulheres ficam em pontos de circulação de veÃculos, balançando bandeiras e realizando atividades de divulgação. Parte das manifestações contrárias ao partido ultrapassa a simples rejeição polÃtica e chega a ataques pessoais.
âÃs vezes a pessoa não abre o vidro do carro e a gente segue para o próximo, mas quando vem alguém xingando a gente é muito ruimâ, afirmou uma das trabalhadoras.
O Jornal Imparcial também teve acesso a registros em vÃdeo de episódios em que as trabalhadoras são ridicularizadas e provocadas por pessoas que se posicionam politicamente contra o partido. Os vÃdeos não serão divulgados pelo jornal, em respeito à s pessoas envolvidas e por não haver interesse jornalÃstico na exposição individual dos autores ou das trabalhadoras.
A vice-presidente do PT de Araraquara, Renata Fattah, afirma que situações semelhantes têm sido registradas com frequência.
âChegam, provocam, gravam vÃdeos e depois constroem suas narrativas nas redes sociaisâ, afirmou.
Os episódios levantam uma questão que vai além da disputa entre esquerda e direita: até onde pode ir a manifestação de uma opinião polÃtica quando existe outra pessoa trabalhando do outro lado?
“Eu penso que, em um perÃodo eleitoral, o mais importante é que a gente discuta ideias, propostas e posições polÃticas. à assim que a democracia deve funcionar”, afirmou o vereador e presidente do PT Araraquara, Alcindo Sabino. “A gente precisa escolher, de forma consciente, quem vai governar o paÃs e quem vai nos representar. Pessoas que tenham condições de fazer a diferença na vida da população.
Quando a polÃtica passa a ser tratada como se fossem duas torcidas de futebol, a gente perde justamente o propósito do processo eleitoral. Deixa-se de discutir aquilo que realmente importa: as ideias, as propostas e o futuro que queremos construir. E, quando isso acontece, quem perde é a própria democracia”, finalizou.