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209 vezes Araraquara: Da economia familiar, a uma das maiores forças econômicas do país

Nascida ainda no período de D. João VI, Araraquara atravessou períodos difíceis, com sua economia baseada na agricultura familiar rural e na venda de sua produção em feiras distantes. Tudo mudou com a chegada da ferrovia e de imigrantes europeus e asiáticos

Hamilton Mendes

Atravessando todos os períodos históricos do País pós Colônia, Araraquara foi fundada em 22 de agosto de 1817, sob os auspícios do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, de D. João VI. Nos tempos iniciais da Araraquara do Império, entre 1817 e 1832, os moradores locais criavam gado, produziam derivados de leite, como queijo e manteiga, mas também plantavam milho, feijão, arroz e algodão. Denominada no período “Freguezia de São Bento de Araraquara”, a localidade era “bairro” da Vila da Constituição, hoje Piracicaba, era lá onde acontecia uma vez por mês uma grande feira, onde os agricultores expunham e vendiam suas produções. Embora com toda a dificuldade logística, como a enorme distância e a falta de estradas entre Araraquara e a Piracicaba da época, os produtores araraquarenses se uniam, enfrentavam as precárias trilhas, os perigos naturais, como as onças e cobras, e a cada 30 dias se aventuravam pelas matas e seguiam até lá para vender sua produção. A coragem e o empreendedorismo das primeiras famílias de Araraquara renderam frutos, a pequena comunidade começou a se organizar, a produção aumentou e poucos anos depois já tínhamos um engenho, alguns pequenos comércios ferreiros, sapateiros e os primeiros prestadores de serviços.

Emancipação política

Foi já com essa pequena, mas sólida organização urbana, que em 10 de julho de 1832, Araraquara foi elevada à condição de Vila, separando-se da Vila da Constituição (Piracicaba) e passando a ter vida orgânica e política próprias, com sua primeira Câmara Municipal assumindo suas funções em 24 de agosto de 1833. A independência administrativa fortaleceu a comunidade, que passou a ser mais ouvida nos corredores da Coroa, formou lideranças políticas influentes e ganhou protagonismo, atraindo novos moradores através dos anos, especialmente a partir dos anos de 1850. Dentre eles, os primeiros imigrantes europeus. O tempo passava, mas a economia de Araraquara evoluía lentamente. O principal problema entre meados dos anos de 1850 e o final dos anos 1870, não era a capacidade produtiva, mas as dificuldades para o escoamento da produção, o que exigia muito esforço e tempo, visto que tudo era transportado em mulas ou carros de boi, através de estradas ruins e trilhas. A Araraquara do início dos anos de 1880 já era uma das maiores produtoras de café, frutas e cana de açúcar de todo o território brasileiro, mas continuava penando com o escoamento de sua produção. Importante lembrar que a economia do País já caminhava a passos largos para dependência do café, e a exportação da fruta era de fundamental importância para o Brasil.

A chegada dos trilhos

Foi nesse período que fazendeiros se cotizaram, adquiriram cotas da antiga Cia Rio-Clarense de Estradas de Ferro e trouxeram a ferrovia paca cá, dando início a um verdadeiro boom econômico na cidade, que passou a ter uma Cia de Estradas de Ferro própria, a EFA (Estradas de Ferro Araraquara), tornando-se uma das maiores exportadoras de café do país. A ferrovia chegou em 1885, mas a inauguração oficial aconteceu um ano depois, em setembro de 1886, com a visita oficial do Imperador D. Pedro II. Com tamanho salto, Araraquara ganhou protagonismo político, cultural e assistiu à construção de uma nova cidade a partir do zero. Uma cidade com hotel e escolas de primeiro mundo, praças inspiradas em espaços parisienses, escola municipal para formação de mão de obra, ruas pavimentadas, além de um teatro municipal exuberante, com luminárias inglesas, pastilhas portuguesas, decoração italiana, palco elevadiço e arquitetura europeia. O caminho para chegar até esse ponto, porém, não foi fácil, e exigiu muito suor, dedicação, luta e esforço dos araraquarenses através dos tempos, contando com o inestimável trabalho e empreendedorismo dos imigrantes de todos os lados do mundo que aqui se instalaram.

Nascimento da EFA e o fortalecimento da economia

Contando com a Estradas de Ferro Araraquara (EFA) e a Cia Paulista de Estradas de Ferro, Araraquara tornou-se rapidamente em uma das maiores exportadoras de café do país, atraindo novos empreendedores e imigrantes

Com a chegada da ferrovia em 1885, o fazendeiro e empresário Carlos Baptista Magalhães decidiu criar uma Cia de Estradas de Ferro na cidade, levar ramais dos trilhos para dentro das fazendas locais e, finalmente, escoar toda a produção da cidade para São Paulo e principalmente, para o Porto de Santos, de onde iria tudo para a Europa e EUA. Convocados por Magalhães, os homens se uniram, integralizaram um capital de 2.000:000$000 milhões de réis, divididos em ações de 200$000 mil réis cada uma, e criaram a EFA (Estradas de Ferro Araraquara), uma gigante que chegou até as divisas do estado com o Mato Grosso, passando por Taquaritinga, Catanduva, Engenheiro Schimidt, São José de Rio Preto, Mirassol, gerando o nascimento de várias cidades da chamada Alta Araraquarense. E o crescimento da EFA foi absurdo, mesmo para os padrões atuais. Criada em 1886, seus trilhos chegaram a “Ribeirãozinho”, hoje Taquaritinga, no mesmo ano. Em 1906 os trilhos já estavam em São José do Rio Preto e em 1920, venceram os limites daquela cidade e contavam com 432 1quilômetros de linha. Em 1939, sob intervenção do governador Ademar de Barros, a EFA passou por Mirassol e chegou às divisas do Mato Grosso, depois de um longo trabalho de desapropriação de terras realizado por determinação do governo estadual, pelo seu secretário Geral, Trifônio Guimarães. Administrada em Araraquara, para onde se deslocavam a maior parte de seus colaboradores, os braços da EFA fundaram inúmeras cidades da chamada Alta Araraquarense, e a companhia chegou a ter 4 mil funcionários. Tanto crescimento aumentou a importância da malha ferroviária da cidade, e a EFA investiu na construção de prédios diversos e oficinas por toda a área dos trilhos, passando a montar locomotivas, vagões, cuidar da manutenção e recuperação de motores, composições e todos os serviços operacionais necessários para o sucesso das operações. A EFA investiu ainda em escolas, onde seus funcionários eram alfabetizados e podiam seguir seus estudos, até a formação em cursos técnicos e outros ofícios. Araraquara contava ainda com a Cia. Paulista de Estradas de Ferro, sucessora da Cia Rio-Clarense, transformando-se rapidamente em um dos principais modais ferroviários do país, ampliando sua influência para toda a Alta Araraquarense (cidades entre Araraquara e São José do Rio Preto, passando até as divisas com o Mato Grosso), fortalecendo seu comércio e sua economia, o que atraiu investimentos, novos negócios e mais imigrantes.

A Nova Araraquara e os Imigrantes

Nos primeiros anos do século 20, impulsionados pelo bom momento econômico vivido pela cidade, e motivados por uma tragédia protagonizada pela política local, empresários e produtores locais se uniram, integralizaram capital e criaram o Banco de Araraquara, que financiou a construção da Nova Araraquara, uma cidade urbanizada, calçada, com escolas, teatro, cultura, hotel de primeiro mundo e arte. Foi nesse momento que os imigrantes começaram a fazer a diferença, seja atuando no campo, na construção civil ou no comércio. As principais nacionalidades de imigrantes que moldaram a história de Araraquara a partir do final do século 19 e início do século 20 foram os italianos, espanhóis, portugueses e sírio-libaneses. Os italianos formaram o maior contingente dentre eles, e em 1902 representavam cerca de 70% de todos os imigrantes locais. Trabalhando massivamente como colonos nas fazendas de café e, na área urbana, os italianos destacaram-se pela criação de pequenas indústrias, manufaturas e oficinas artesanais. Os espanhóis, por sua vez, chegaram em grande número e em grupos familiares completos, atuando inicialmente na lavoura cafeeira, migrando progressivamente para a cidade, destacando-se na construção civil e no desenvolvimento de iniciativas industriais ao lado dos italianos. Outro grande grupo de imigrantes era formado pelos portugueses, que na sua maioria já possuía ofícios especializados ao desembarcar. O grupo concentrou-se fortemente no comércio e em serviços urbanos. Foram eles, junto com “calceteiros” italianos, os responsáveis por introduzir o calçamento artesanal de mosaicos (petit-pavet) nas ruas centrais da cidade. Os Sírio Libaneses – Árabes também tiveram importante contribuição para o fortalecimento da economia da cidade. Eles eram um grupo bem menor, mas altamente visível na sociedade araraquarense da época. Com vocação comercial, estabeleceram-se quase que exclusivamente na zona urbana através do comércio de tecidos, armarinhos e lojas de secos e molhados, ajudando a consolidar a atual Rua 9 de Julho (Rua 2) como o coração comercial do município. Os imigrantes japoneses e alemães também registraram presença na região, com os primeiros atuando no campo, sobretudo na substituição da mão de obra nas lavouras, e as famílias alemãs fixando-se em núcleos agrícolas vizinhos e no comércio.

A força dos imigrantes na economia local

Morganti, Lupo, Nigro e Cutrale são apenas alguns exemplos das diversas famílias de imigrantes que ajudaram a colocar Araraquara entre as economias mais fortes do país atraimigrantes que ajudaram a colocar Araraquara entre as economias mais fortes do país através dos tempos. O Imparcial traz abaixo um pouco da saga dessas famílias

Usina Tamoio Fundada pelo imigrante italiano Pedro Morganti, a Usina Tamoio marca a história do setor sucroalcooleiro do país e é parte indissolúvel da história de Araraquara. Morganti comprou em 1917 o Engenho Fortaleza em 1917, e ali plantou os alicerces para o nascimento da gigante Usina Tamoio, que entre os anos 40 e 50, tornou-se a maior indústria sucroalcooleira do país e da América do Sul. O impacto econômico da Usina Tamoio na região de Araraquara foi imenso, moldando o desenvolvimento industrial, agrícola de toda a região por um século. Foi sob a gestão de Pedro Morganti, que ela transformou o perfil econômico regional de cafeeiro para sucroalcooleiro. Batendo recordes continentais de produção de açúcar por muitos anos, a Tamoio colocou Araraquara no mapa dos grandes investimentos agroindustriais do País, fortalecendo do PIB regional. A usina foi, por décadas, uma das maiores arrecadadoras de impostos municipais e estaduais na região. Com milhares de postos de empregos gerados, a Tamoio chegou a ter mais de 3 mil empregados diretos fixos, com suas colônias sustentando direta, e indiretamente até 10 mil pessoas, o que ajudou a impulsionar o comércio de Araraquara, Ibaté e Ribeirão Bonito

Ferrovia própria e Vila

Com visão empresarial e arrojo, Pedro Morganti investiu na criação de uma Cia. De Estradas de Ferro própria, o que facilitou o escoamento de enorme produção da Usina. E para viabilizar seu projeto, Morganti investiu na construção de pontes e Ramais, realizando um dos maiores feitos de engenharia já vistos no interior do País, que foi a construção de uma grande ponte ferroviária para transpor o Rio Jacaré-Guaçu no final dos anos 1950. O empresário investiu ainda em uma Vila Ferroviária, uma colônia específica para os funcionários da linha ferroviária instalada próxima à divisa de Araraquara com a região de Ibaté.

Vila operária

A antiga vila operária da Usina Tamoio, em Araraquara, funcionava como uma verdadeira cidade autônoma em meados do século 20. Sob o comando da família Morganti, o local estruturou um modelo de comunidade focado no bem-estar e controle dos operários. No auge produtivo, entre os anos 40 a 50, a colônia abrigava perto de 10 mil habitantes, que eram divididos em várias seções. A administração fornecia casas de alvenaria aos trabalhadores e suas famílias, e a habitação era gratuita. A Vila contava com armazém de fornecimento, farmácias, açougue e atendimento de saúde interna, além de cinema, clubes recreativos e da imponente igreja São Pedro. O futebol era o principal lazer para os homens, movimentando jogos no Estádio Comendador Pedro Morganti. Tudo começou a acabar com a venda da Usina em 1969, o que deu início à desativação gradual da vila. Suas terras deram origem ao Assentamento Bela Vista do Chibarro em 1989. Seu complexo industrial foi demolido, o imponente casarão dos Morganti também foi ao chão, mas o lugar ainda mantém construções icônicas como a Igreja de São Pedro, o estádio e o casarão histórico dos Carvalho, atualmente em péssimo estado de conservação, apesar de tombado pelo patrimônio histórico.

A força dos imigrantes na economia local

Cutrale

Uma das maiores produtoras e exportadoras de suco de laranja do mundo, controlando cerca de um terço do mercado global do produto, a Cutrale é um símbolo da força da economia de Araraquara há muitos anos. A trajetória começou com o imigrante italiano Giuseppe Cutrale, originário da Sicília, que vendia laranjas no Mercado Municipal de São Paulo. Visionário. Giuseppe comprou, ainda nos anos 50, a Fazenda Santa Alice, em Bebedouro, expandindo para a produção agrícola. No ano de 1967, já em Araraquara, Giuseppe e seu filho José Cutrale fundaram a Sucocítrico Cutrale, dando início a um dos maiores negócios do setor em todo o planeta e gerando milionária arrecadação ao município, ao mesmo tempo em que gerava centenas de empregos. Não demorou muito e a Cutrale estendeu seus braços para fora do País, registrando enorme crescimento global e Foto: Divulgação / Arquivo Liderança, com o empresário passando a ser conhecido mundialmente como o “Rei da laranja”. E foi sob a liderança de José Luís Cutrale (filho de José Júnior), que a empresa se consolidou mundialmente. A Expansão se consolida nos anos 1990, quando a Cutrale comprou plantas de processamento de laranja na Flórida (EUA) para superar barreiras comerciais e estreitar laços com a Coca-Cola. Além do suco de laranja e subprodutos cítricos, o grupo passou a atuar no comércio de soja e na produção de bananas (com a aquisição da Chiquita em parceria com o Grupo Safra), ampliando e diversificando suas operações. Uma das mais modernas empresas do mundo em termos de tecnologia, a Cutrale mantém sua planta industrial quase que intocada em Araraquara, onde produz a todo vapor, mas mantém suas características históricas, sinal de respeito e reverência a saga daqueles que construíram toda essa história de grandeza e superação.

Nigro

A história da Fábrica de Aluminios Nigro começa em plena segunda guerra mundial, quando devido a necessidade da indústria se voltar a produção de produtos de interesse militar, o Brasil viveu um período de escassez de produtos para cozinha e utensílios domésticos, muitos na época ainda importados. Entendendo a situação, e vendo ali uma grande oportunidade de ocupar um espaço aberto no mercado, Arcângelo Nigro, que já tinha habilidade e muito conhecimento no ofício de ferreiro e na fabricação de artigos que estavam em falta, decidiu ingressar no ramo. Casado com Maria Cavicchioli Nigro, Arcangelo tinha quatro filhos, Francisco, Hugo, Beatriz e Pedro, e todos ajudavam na produção, que desde o início era variada e acabou gerando muitas parcerias com outros empreendedores locais e da região. Os filhos contavam as latinhas e as peças cortadas enquanto Arcângelo ficava até altas horas da noite na garagem martelando as canecas e soldando as alças. Eles faziam ainda chapinhas de vassouras, que eram entregues para a fábrica do Mário e João Dosualdo em Américo Brasiliense. Mais tarde vieram os regadores e os baldes. A primeira panela artesanal, fundida no quintal com alumínio derretido foi um marco para a família. Dotado de espírito criativo, Arcangelo foi idealizador e construtor de vários projetos de muito sucesso, e que alaFoto: Divulgação / Arquivo Com forte atuação social, Arcangelo Nigro tomou a frente do Lar Juvenil, recebendo mais tarde a “Comenda e Insígnias de Comendador” da “Ordem de São Silvestre Papa” concedida por “Papa João Paulo II”, em 1979. vancaram parcerias e novos negócios. Com muito trabalho e dedicação, a fábrica foi crescendo e se tornando conhecida na cidade e região, o que obrigou a família a investir na primeira loja, que ficava na Rua São Bento, em frente ao antigo Seminário dos Padres Redentoristas, depois Elétroradiobrás, a seguir Jumbo Eletro, mais tarde Extra, e atualmente Assaí Atacadista. Na época, a Nigro produzia uma grande variedade de produtos de alumínio, como regadores, chuveiros, forninhos, tachos de cobre, além de panelas, dentre outros. A fábrica continuou crescendo, e Arcângelo construiu a sede da Nigro na Avenida Arcângelo Nigro, 166, no ano de 1958. Mais tarde, Arcangelo foi substituído pelo filho Francisco no comando da empresa, hoje consolidada e respeitada como uma das maiores e mais tradicionais empresas do ramo no País. Com visão empresarial e investimentos corretos, a Nigro cresceu hoje a indústria possui mais de 20 mil metros quadrados, onde são produzidos mais de 300 itens, cerca de 400 mil peças mês, todas desenvolvidas com a mais alta tecnologia e normas de segurança nacionais e internacionais.

Casas Barbieri

Símbolo da força do comércio de Araraquara por décadas, a Casa Barbieri foi um dos estabelecimentos mais tradicionais e icônicos da cidade, marcando gerações e a própria economia araraquarense, destacando-se durante muitos anos como a maior loja de departamentos do interior paulista. O que pouca gente sabe, é que o enorme estabelecimento nasceu de forma modesta, como uma oficina de consertos de sapatos. Aberta por José Barbieri, imigrante italiano que aqui chegou por volta de 1.900, vindo Monte Leone. Com o passar dos anos, o negócio prosperou, e a família decidiu expandir seu catálogo para uma loja de calçados, meias, camisas, tecidos e armarinhos. A partir dos anos 20 e 30, a Casa Barbieri experimentou um grande boom em suas atividades, o que levou a família a instalar o empreendimento na esquina da Rua 9 de julho com a Avenida Duque de Caxias. Pouco tempo depois, já nos anos 40, o imponente recebeu, em seu piso térreo diversos departamentos. Na parte superior, a família residia. No período pós-guerra, entre meados dos anos 40 e 50 a Casa Barbieri transformou-se em sinônimo de modernidade e variedade, vendendo de tudo, desde vestuário, calçados, joias, relógios, rádios, vitrolas, utilidades domésticas e eletrodomésticos. O negócio seguiu próspero por todos os anos 60, 70 e 80, mantendo fieis clientes por toda a região e por toda as cidades da Alta Araraquarense, acostumadas a comprar aqui desde o período áureo da EFA. A Barbieri marcou também o Natal de várias gerações de araraquarenses. E isso, desde os anos 30, quando a família passou a investir na montagem de um grandioso presépio em movimento na fachada do imponente prédio. E o presépio, instalado todos os anos por dois portugueses que vinham especialmente do Rio de Janeiro para viabilizar o empreendimento, tornou-se símbolo do Natal araraquarense, levando multidões para a Rua 9 de julho todos os anos. O tradicional estabelecimento funcionou até o início dos anos 2010, deixando saudades e em toda a população araraquarense que teve a felicidade conhecer seus departamentos e sua grandeza.

Lupo

A história da Fábrica de Meias Lupo começa em 21 de março de 1921, quando Henrique Lupo funda uma pequena empresa e coloca toda a família para ajudar na produção. Nos primeiros anos, a fábrica tinha apenas duas máquinas, ambas instaladas na sala da casa do imigrante italiano, e o tingimento da produção era feito no banheiro da residência. As vendas aconteciam de porta em porta, com vendedoras portando cestas carregadas de produtos. Com o tempo, e com o crescimento das vendas, a fábrica ampliou suas atividades passando a empregar muitas mulheres e ajudando na independência financeira de muitas delas através dos tempos. Foi no ano de 1937, no entanto, que a empresa adotou oficialmente o nome Fábrica de Meias Lupo, tornando-se na década seguinte a maior fabricante de meias masculinas do país. Já nos anos 60 a indústria adquiriu modernos equipamentos parta a produção de meias femininas finas, ampliando suas atividades e abrindo novos mercados. Os anos 90 chegaram com problemas para a Lupo, que atravessou uma grave crise e passou por mudanças em sua governança, com a adoção de medidas que reorganizaram a empresa. Com a chegada de Liliana Alfiero, a Lupo passou por profundas reestruturação, modernização da produção e cortes de gastos desnecessários, tornando-se um império na área de moda intima e meias, e profissionalizando a administração.

O relógio da Lupo

Inaugurado em 1955, o relógio de quatro faces instalado na torre da antiga sede da fábrica de meias Lupo, hoje Shopping Lupo, tornou-se um importante marco histórico cultural da cidade. A inauguração do relógio marcou também início das atividades da nova unidade administrativo-industrial, cujo prédio foi construído em “L”, como forma de homenagear a marca. Na época de sua instalação, eram raros os relógios de grande porte e eles serviam para guiar os turnos te o nome Fábrica de Meias Lupo, tornando-se na década seguinte a maior fabricante de meias masculinas do país. Já nos anos 60 a indústria adquiriu modernos equipamentos parta a produção de meias femininas finas, ampliando suas atividades e abrindo novos mercados. Os anos 90 chegaram com problemas para a Lupo, que atravessou uma grave crise e passou por mudanças em sua governança, com a adoção de medidas que reorganizaram a empresa. Com a chegada de Liliana Alfiero, a Lupo passou por profundas reestruturação, modernização da produção e cortes de gastos desnecessários, tornando-se um império na área de moda intima e meias, e profissionalizando a administração. Foto: Tetê Viviani dos trabalhadores e a rotina dos moradores locais. Não demorou muito para o o relógio de quatro faces tornar-se referência e um símbolo afetivo para a população de Araraquara, que tinha em seus ponteiros a organização de sua vida pessoal e da rotina da casa. Ainda hoje o “relógio da Lupo” encanta e atrai a atenção dos araraquarenses, especialmente pelo simbolismo que ele representa para todas as gerações que dele se serviram através dos tempos.

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