Início Araraquara 8 de Março: Vida das mulheres deve ser prioridade, não discurso vazio

8 de Março: Vida das mulheres deve ser prioridade, não discurso vazio

Artigo

*Márcia Lia

O Dia Internacional da Mulher é uma data para celebrar a nossa existência e nos fortalecer para a luta por direitos e por igualdade. Mais do que uma data simbólica, é um chamado à ação. Neste ano, a ONU propõe o lema “Direitos. Ação. Justiça. Para TODAS as mulheres e meninas”.

Esse debate é cada vez mais urgente, tendo em vista o assustador aumento dos casos de violência contra a mulher em todo o Brasil. No nosso Estado de São Paulo, a quantidade de feminicídios vem aumentando ano a ano, desde 2022. Em 2025, foram 270 mulheres assassinadas por razões de gênero. Somente em janeiro deste ano, já foram 27 vítimas — quase uma morte por dia. São números que não podem ser naturalizados.

O governo Tarcísio demonstra grande descaso com a vida das mulheres. Os dados mostram uma total ausência de vontade política de proteger as mulheres da violência e do feminicídio. A Secretaria criada em 2023 ainda não apresentou respostas concretas e eficazes.

O chamado Programa de Enfrentamento à Violência de Gênero não saiu do papel em 2024 e, no ano seguinte, utilizou apenas 26% dos R$ 10 milhões disponíveis. No orçamento geral da pasta, apenas 53% dos R$ 60 milhões previstos para 2024 e 2025 foram executados (R$ 33 mi). Para 2026, a previsão orçamentária é de R$ 30,6 milhões.

Quando faltam políticas públicas estruturadas, sobram discursos vazios. Nós precisamos de ações concretas: fortalecimento das Delegacias da Mulher, ampliação das casas de acolhimento, equipes multidisciplinares de atendimento, investimento em educação e campanhas permanentes de conscientização.

Além do enfrentamento, é fundamental investir em prevenção. O Estado precisa promover ações educativas que ajudem mulheres e meninas a reconhecer os primeiros sinais de abuso e violência em seus relacionamentos e a realizarem a denúncia. É igualmente essencial que os homens compreendam, de uma vez por todas, que o corpo das mulheres não é posse, não é objeto, não é território de dominação.

A nossa luta é por vida, dignidade e justiça. Neste 8 de Março, reafirmamos: não aceitamos retrocessos. Seguimos mobilizadas, organizadas e firmes na defesa de políticas públicas que salvem vidas. Contem comigo para continuar cobrando e exigindo providências do governo estadual para garantir que todas nós, mulheres e meninas, tenhamos direito a uma vida plena e livre de violência.

*Márcia Lia é deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT)

Sair da versão mobile