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A história da qualidade total

Artigo

Genê Catanozi

A Qualidade Total nasceu no Japão no final da década de 40, logo após o país ter sido totalmente destruído pela II Guerra Mundial. Foi justamente um americano chamado, William Edwards Deming quem introduziu na nação japonesa pós-guerra a cultura da Qualidade Total.

Os produtos fabricados no Japão antes da II Guerra eram considerados de péssima qualidade e não tinham fácil aceitação no mercado mundial, a produção japonesa era de “quinta categoria”, dificilmente alguém acreditava que ao comprar um produto japonês ele duraria um bom tempo. A vontade do Japão em reconstruir todo o seu parque industrial e a nação como um todo, não o deixou com muitas escolhas, e naquele momento o Dr. Deming que já conhecia o Japão, foi até lá para tentar vender as suas ideias sobre qualidade.

Nos Estados Unidos o Dr. Deming também tentava passar as suas idéias sobre qualidade, mas como lá e como em qualquer outro lugar “santo de casa não faz milagres”, Deming se sentia como um estranho em seu próprio país, tinha poucos adeptos de sua teoria e assim, desistiu de continuar a sua luta para melhorar mais ainda os produtos americanos. Então decidiu partir para o Japão.

No Japão, Deming encontrou receptividade pelas suas ideias e como o povo japonês estava totalmente arruinado e na esperança de reconstruir o país, a Qualidade Total encontrou ali um campo fértil e duradouro. Deming sabia que a qualidade transforma e, para isso era preciso determinação e muita disciplina, e neste ponto o povo japonês tinha e tem de sobra, esta foi a chave-mestra para a qualidade começar a ser implantada em todo o Japão.

Entre os anos de 1950 e 1960, mais de 20 mil japoneses receberam treinamento em gestão da qualidade de forma bem rudimentar, os treinamentos eram oferecidos diuturnamente para as pessoas que não moravam na cidade de Tóquio, e os cursos oferecidos à noite foram dados para aqueles que trabalhavam durante o dia. Isso foi possível porque o país tinha um só objetivo: a reconstrução.

A partir do final dos anos 60, o Japão já começava a incomodar o mundo pelo seu jeito diferente de administração e, também seus produtos já ameaçavam a concorrência internacional. Todo esse processo levou mais de 20 anos, mas foi levado a sério pelo povo japonês, e tinham a consciência que jamais poderiam voltar atrás. As inovações da administração japonesa pela qualidade tiveram a preocupação de antecipar as expectativas dos clientes, reduzir custos, mas tudo isso só seria possível se os funcionários fossem treinados e valorizados, e foi o que aconteceu. As mudanças passaram necessariamente primeiro pelos empresários japoneses, que se conscientizaram através de cursos, que a qualidade seria o diferencial para o crescimento.

Da mesma forma, os funcionários se conscientizaram que quando as empresas não iam bem eles também não iriam bem, podendo até perder seus empregos. Nos treinamentos de sensibilização, os funcionários estavam conscientes que a única saída para manter seus empregos era fortalecer antes de tudo a própria empresa em que trabalhavam.

E hoje o resultado está aí, o Japão é um exemplo em Qualidade Total.

O Brasil não precisa copiar o modelo japonês de administrar, pois tem suas características próprias, o jeito brasileiro de ser, só precisa acreditar em seu próprio capital humano e tirar da cabeça que santo de casa não faz milagres.

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