Araraquara encerrou abril com a primeira retração no mercado formal de trabalho registrada em 2026. Segundo levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara, baseado em dados do Novo Caged, o município apresentou saldo negativo de 119 empregos com carteira assinada no período, resultado de 3.443 admissões e 3.562 desligamentos.
O resultado interrompe uma sequência de meses de saldo positivo observada desde o início do ano e ocorre em um cenário de desaceleração de importantes setores da economia local. Entre os segmentos que mais contribuíram para o desempenho negativo estão a indústria (-109 vagas), a construção civil (-51) e o comércio (-11).
Em contrapartida, o ambiente de negócios segue aquecido. Araraquara alcançou a marca de 38.880 empresas ativas em abril. Apenas no mês, foram abertas 683 novas empresas, enquanto 359 encerraram suas atividades, gerando saldo positivo de 324 empreendimentos.
Para a economista do Sincomercio Araraquara, Maria Clara Kirsch, os números revelam um momento de transição na economia local e merecem acompanhamento nos próximos meses: “Os dados mostram um cenário de contrastes. Enquanto o município continua apresentando forte dinamismo empresarial, com abertura consistente de novos negócios, observamos uma redução no estoque de empregos formais. O resultado chama a atenção para a evolução do mercado de trabalho nos próximos meses.”
A Região Central do Estado de São Paulo, da qual Araraquara faz parte, apresentou comportamento diferente. O conjunto dos municípios registrou saldo positivo de 516 vagas formais no período, impulsionado principalmente pelos desempenhos de São Carlos (+333), Porto Ferreira (+233) e Descalvado (+138).
Outro indicador que chamou atenção foi o aumento nos pedidos de seguro-desemprego. Em abril, Araraquara registrou 1.181 solicitações do benefício, crescimento de 5,5% em relação ao período anterior. O volume representa cerca de 19,2% dos 6.141 pedidos contabilizados em toda a Região Central.
Os dados também revelam mudanças no perfil das contratações e desligamentos. As admissões concentraram-se principalmente entre jovens de até 17 anos e trabalhadores de 18 a 24 anos, enquanto os maiores saldos negativos foram observados nas faixas etárias de 50 a 64 anos, 30 a 39 anos e 40 a 49 anos.
Segundo Maria Clara, o comportamento dos diferentes grupos etários pode refletir movimentos estruturais do mercado de trabalho: “Percebemos uma participação maior dos jovens nas novas contratações, enquanto trabalhadores mais experientes concentraram parte dos desligamentos. É um movimento que merece atenção porque pode indicar mudanças no perfil da demanda das empresas e nas estratégias de contratação adotadas pelos empregadores”, explica.
