Por José Augusto Chrispim
Quem visita o bar do senhor Dionísio, localizado na região central da cidade de Pintadas, Bahia, é levado à uma atmosfera que lembra as histórias que os avós contavam. Em um ambiente bucólico e cheio de imagens antigas e que não são mais comuns no mundo agitado em que vivemos, podemos encontrar garrafas de bebidas com mais 20 anos intactas, fumo de corda, facões, botinas, feijão de corda à granel, além de várias ‘garrafadas’ – que possuem em suas receitas quase secretas, várias ervas misturadas à bebida alcoólica -, que prometem curar várias enfermidades.

A reportagem do jornal O Imparcial conversou com o proprietário do estabelecimento, o senhor Dionísio Gonzaga Jorge, de 80 anos, que contou um pouco da história do local histórico e conhecido por todos os moradores da pequena cidade que é berço de milhares de moradores de Araraquara e cidades da região, como Américo Brasiliense e Ibaté, entre outras.
Seo Dionísio conta que o bar foi aberto por seu finado pai em outro local próximo, mas em 1963, ele se mudou para o endereço onde se encontra até os dias atuais. “Meu pai abriu o bar em outro lugar e depois se mudou para cá onde ficou até falecer, em 28 de janeiro de 1999. Eu assumi desde então e sigo aqui até hoje”, conta Dionísio.
O comerciante explica que até pensou em mudar o ambiente do bar, mas desistiu. “Os clientes continuam frequentando o local até hoje sem reclamar, além disso, o ambiente diferenciado atrai curiosos e novos clientes”, diz.
Outras experiências
O comerciante, nascido na cidade de Antônio Cardoso, relatou que já deixou o estado da Bahia quando jovem à procura de trabalho em outros estados, como em São Paulo, onde trabalhou em usinas de cana-de-açúcar e outras empresas, na capital paulista e também em cidades do interior do estado, como Taquarituba e Iracemápolis, nas Usinas Ipiranga, Iracema, Lambari, entre outras. “Eu larguei meus estudos ainda jovem e fui para São Paulo, onde trabalhei em várias usinas e engenhos de pinga. Mas, em 1966, eu adoeci e voltei para Pintadas”, relata.
Saudade do filho falecido em acidente
Seo Dionísio teve três filhos, porém, o mais velho faleceu em um acidente de trânsito em uma estrada da região. “Eu tinha três filhos, mas, o mais velho faleceu em um acidente no dia em que ele iria se formar em Direito. Ele pegou o carro da firma para fazer uma entrega em Jequié e, quando estava voltando pela rodovia, deu de cara com uma caminhonete parada na pista e uma carreta quebrada ao lado. Por pouco ele não conseguiu desviar, porém, ele acabou colidindo com seu carro contra o caminhão e não resistiu aos ferimentos, mesmo sendo socorrido ao hospital de Jequié. Agora ficaram meu filho que é advogado e minha filha que é professora, mas a saudade dele não tem fim”, finalizou o comerciante.
Fotos: O Imparcial