O Comitê Municipal de Enfrentamento à Crise Emocional e Prevenção do Suicídio realizou, nesta terça-feira (1º), sua primeira reunião de trabalho. O encontro contou com a participação de aproximadamente 30 representantes de diferentes órgãos públicos, instituições privadas, universidades e organizações da sociedade civil, reforçando o caráter intersetorial da iniciativa.
Instituído pela Prefeitura por meio da Portaria Municipal nº 30.696, de 11 de março de 2026, e com seus membros nomeados pela Portaria nº 30.948, de 29 de junho de 2026, o Comitê tem caráter permanente, consultivo e propositivo e busca integrar diferentes setores na construção de estratégias de promoção da saúde mental, prevenção das crises emocionais e enfrentamento ao suicídio no município.
A primeira reunião teve como objetivos promover a integração entre os membros, alinhar as atribuições e prioridades do Comitê, identificar os principais desafios da rede e organizar uma agenda inicial de trabalho.
Entre os pontos discutidos, os participantes identificaram a necessidade de aprimorar a notificação das situações relacionadas às tentativas de suicídio e às violências autoprovocadas. A avaliação é de que ainda existe subnotificação, o que dificulta a compreensão da dimensão real do problema e, consequentemente, o planejamento das políticas públicas.
Para a subsecretária de Atenção Especializada da Secretaria Municipal da Saúde, Celina Garrido, ampliar e qualificar as notificações não deve ser entendido apenas como uma obrigação administrativa, mas como uma ferramenta essencial para a prevenção. “Quando uma situação não é notificada, ela também deixa de aparecer adequadamente nos nossos indicadores. E aquilo que não conseguimos enxergar nos dados se torna muito mais difícil de enfrentar por meio das políticas públicas. A notificação permite conhecer quem são essas pessoas, em quais territórios estão, quais grupos apresentam maior vulnerabilidade e onde a rede precisa estar mais presente. Notificar é produzir informação para o cuidado, para a prevenção e para o planejamento das ações do município”, destacou.
Como encaminhamento, será elaborado um cronograma de capacitações para qualificação das notificações, envolvendo os diferentes pontos da rede. A proposta inclui também a aproximação com os ambulatórios-escola vinculados às universidades, além da qualificação dos profissionais da Educação e da Assistência Social, que possuem presença estratégica nos territórios e contato cotidiano com diferentes grupos da população.
Qualificação da escuta
Outro encaminhamento definido durante o encontro foi a realização de uma capacitação voltada à qualificação da escuta dos profissionais da rede. A atividade será organizada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) e está prevista para outubro.
A iniciativa pretende ampliar a capacidade dos profissionais de reconhecer sinais de sofrimento emocional, realizar uma escuta acolhedora e saber como proceder diante de pessoas que apresentem sofrimento intenso ou risco relacionado ao suicídio.
O Comitê também deverá trabalhar na integração das diferentes políticas públicas e instituições, considerando que o enfrentamento à crise emocional e a prevenção do suicídio não se restringem aos serviços especializados de saúde mental. Educação, Assistência Social, Saúde, universidades, organizações da sociedade civil e demais serviços presentes nos territórios possuem papel fundamental na identificação precoce das situações de vulnerabilidade e na construção de uma rede de proteção.
Fluxo de atendimento
A próxima reunião do Comitê será realizada no dia 15 de setembro e terá como tema central a organização do fluxo de atendimento da rede municipal diante das situações de crise emocional e tentativas de suicídio. A proposta é discutir o papel de cada ponto da rede, as portas de entrada, os encaminhamentos, o atendimento às situações de urgência e emergência e a continuidade do cuidado após a crise.
A construção desse fluxo será uma das etapas para consolidar uma atuação integrada, na qual os diferentes serviços saibam identificar situações de risco, acolher, encaminhar e acompanhar cada pessoa de acordo com suas necessidades.
Com a realização periódica das reuniões e a organização de grupos e ações de trabalho, o Comitê pretende avançar na construção de uma política municipal permanente de enfrentamento à crise emocional e prevenção do suicídio, baseada na articulação da rede, na qualificação dos profissionais, na produção de informações e no fortalecimento das estratégias de prevenção.
