Início Araraquara Fórum Municipal de TDAH promove discussão sobre desafios na vida adulta

Fórum Municipal de TDAH promove discussão sobre desafios na vida adulta

Promovido pela Escola do Legislativo, minicurso abordou características, impactos e estratégias relacionadas ao TDAH em adultos

Entender como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) se manifesta na vida adulta é fundamental para reconhecer seus impactos na rotina, nos relacionamentos e no ambiente profissional. Foi com esse propósito que a Câmara Municipal de Araraquara recebeu, nesta quinta-feira (27), o minicurso “TDAH na Vida Adulta: Características, Impactos e Estratégias”, promovido pela Escola do Legislativo “Dulce Whitaker” (EL). A atividade foi realizada no Plenário da Câmara e integrou as ações do Fórum Municipal sobre TDAH, instituído pela Resolução nº 541/2024.

O minicurso foi conduzido pelos psicólogos Lucas Gonçalves Perches e Felipe Pereira Gomes. Perches é mestre em Psicologia, neuropsicólogo e especialista em Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico. Gomes é mestre e doutor em Psicologia, especialista em Psicoterapia Comportamental e Cognitiva, atua como psicólogo clínico no atendimento de adultos e como professor dos cursos de Psicologia e Pedagogia da Uniara.

Ao longo do encontro, os participantes acompanharam discussões sobre as principais características do TDAH na vida adulta, os impactos na vida pessoal e profissional, os processos de avaliação e identificação e as estratégias e possibilidades de intervenção.

Perches destacou que a dificuldade de engajamento em atividades menos estimulantes e tarefas cotidianas é uma característica bastante presente em adultos com TDAH. “Uma pessoa pode apresentar sintomas durante muitos anos e desenvolver mecanismos para reduzir suas consequências, como agendas, alarmes, listas, rotinas rígidas, trabalhar apenas sob pressão ou depender de outras pessoas para organização”.

O palestrante também afirmou que o funcionamento cotidiano no TDAH envolve mais do que aprender o que precisa ser feito. “As funções executivas são um conjunto de processos envolvidos na regulação do comportamento dirigido a objetivos”, frisou.

O especialista pontuou algumas das principais dificuldades relacionadas ao TDAH, como controle inibitório, planejamento, regulação do comportamento, iniciação de tarefas e manutenção do esforço.

Nem toda desatenção é TDAH

Perches afirmou também que sintomas semelhantes podem possuir mecanismos diferentes, então outras causas podem resultar na dificuldade de atenção, como ansiedade, depressão, uso de substâncias, estresse e sobrecarga, transtorno bipolar, privação do sono e outros fatores.

Assim, o diagnóstico deve ser feito por um especialista e baseado em aspectos de investigação, como histórico familiar, trajetória escolar, relacionamentos, organização financeira e funcionamento profissional, por exemplo. O palestrante ressaltou ainda que pode ser importante buscar informações de terceiros, como familiares, amigos e ex-professores, pois é comum a pessoa não lembrar de quando os sintomas começaram.

Características na vida adulta

Felipe Gomes abordou as características observadas em adultos e estudos recentes sobre o TDAH nessa fase da vida. De acordo com ele, crianças e adultos com TDAH podem ter comportamentos diferentes, pois com a idade a hiperatividade costuma diminuir, predominando a desatenção. Em adultos, a hiperatividade é mais uma inquietação interna refletida em uma agenda lotada e no costume de não relaxar de verdade. Além disso, na fase adulta, é mais comum falar sem filtro, começar e terminar relacionamentos sem pensar, divagar e procurar risco e excitação para conseguir se manter engajado.

Outro sintoma importante é desregulação emocional, que pode ser caracterizada por explosões curtas por coisas pequenas do dia a dia, oscilações de humor e tolerância reduzida ao estresse, por exemplo.

O professor frisou que muitas vezes o diagnóstico só aparece na vida adulta, pois ambientes estruturados, alta capacidade cognitiva e apoio familiar podem impedir a expressão dos sintomas até que a demanda por autonomia aumente, geralmente no fim da adolescência, na faculdade e no primeiro emprego.

Impactos na vida pessoal e profissional

Gomes pontuou alguns impactos que o transtorno pode causar na vida adulta, como baixa autoestima, mais dificuldades em relações românticas, menor satisfação sexual, dificuldade de adesão a tratamentos de saúde, mais envolvimento em acidentes e lesões, mudanças constantes de emprego e outras características.

O especialista ressaltou também que o curso tem como objetivo ensinar os participantes a perceberem sinais que indiquem a necessidade de um indivíduo buscar um especialista para investigação diagnóstica, que, se confirmada, pode resultar no encaminhamento para tratamento adequado e melhor qualidade de vida.

Ambos os palestrantes chamaram a atenção para os riscos do autodiagnóstico com base em conversas informais, informações encontradas em redes sociais e preenchimento de formulários e testes por conta própria, uma vez que as características do TDAH também podem se manifestar em outros quadros. É fundamental a orientação de profissionais de saúde, como psicólogos e neuropsicólogos, para confirmar qualquer diagnóstico.

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