Início Araraquara Inflação dos alimentos e juros elevados desafiam o consumo; Araraquara reflete cenário...

Inflação dos alimentos e juros elevados desafiam o consumo; Araraquara reflete cenário nacional 

Levantamento do Sincomercio Araraquara mostra os efeitos locais de um cenário que compromete o poder de compra das famílias e restringe crédito e investimentos

A combinação entre inflação dos alimentos, juros elevados e aumento do endividamento continua pressionando o orçamento das famílias e a atividade econômica em diferentes regiões do país. Em Araraquara, esse cenário pode ser observado no comportamento da cesta básica, que atingiu R$ 1.099,54 em maio de 2026, um dos maiores patamares da série histórica acompanhada pelo Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara.

Em junho, o preço médio dos alimentos básicos ainda não apresentou alívio significativo no município, mantendo a pressão principalmente sobre as famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior de seus rendimentos às despesas essenciais.

“O comportamento da cesta básica em Araraquara mostra como um cenário econômico mais amplo chega ao dia a dia das famílias. Quando a alimentação compromete uma parcela maior da renda, sobra menos espaço para outras despesas e decisões de consumo”, explica Maria Clara Kirsch, economista do Sincomercio Araraquara. 

A pressão sobre os alimentos também aparece em outras localidades. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese, o grupo da alimentação registrou três meses consecutivos de alta nas 27 capitais brasileiras analisadas.

Inflação segue acima do teto da meta

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou alta de 0,58% em maio de 2026. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,72%, superando o teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.

As expectativas de mercado consideradas pelo Banco Central indicam que a inflação acumulada em 12 meses poderá permanecer acima do limite de tolerância durante nove meses consecutivos, entre junho de 2026 e fevereiro de 2027.

Embora o IPCA considere um conjunto amplo de produtos e serviços, a percepção da inflação pelas famílias tende a ser mais intensa quando as altas atingem itens essenciais, como alimentação, transporte e energia.

“O consumidor não acompanha apenas a média geral da inflação. Ele percebe, principalmente, o comportamento dos produtos que compra com maior frequência. Por isso, alimentos em patamar elevado afetam de maneira tão direta a sensação de perda do poder de compra”, observa Maria Clara.

Juros elevados restringem crédito, consumo e investimentos 

Além da inflação dos alimentos, o levantamento chama atenção para os efeitos dos juros sobre a economia. Após a redução realizada em junho, a taxa básica de juros, a Selic, ficou em 14,25% ao ano.

Apesar do corte, o patamar continua elevado e encarece operações como empréstimos, financiamentos, parcelamentos e capital de giro. Para as famílias, isso significa crédito mais caro. Para as empresas, especialmente o comércio, representa maior dificuldade para investir, formar estoques e manter o fluxo de caixa.

“Os juros elevados ajudam a controlar a inflação ao reduzir o consumo, mas também produzem efeitos sobre a atividade econômica. Com o crédito mais caro, as famílias adiam compras e as empresas ficam mais cautelosas em relação a investimentos e contratações”, analisa a economista.

O aumento do endividamento e da inadimplência também reduz o espaço para novas compras. No comércio, os efeitos tendem a ser mais perceptíveis em produtos de maior valor, que dependem de parcelamento ou financiamento. O cenário afeta especialmente pequenos e médios negócios, que dependem da circulação de renda local e também recorrem ao crédito para manter suas operações. 

Sair da versão mobile