Darcy Dantas
“Somos todos anjos de uma só asa, e só podemos voar quando nos abraçarmos uns aos outros”, como escreveu o filósofo italiano Luciano de Crescenzo.
Existe uma famosa atração turística em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, chamada Cajueiro de Pirangi, por estar localizado exatamente na Praia de Pirangi. Ele tem quase 140 anos e sua extensão singular se deve a uma anomalia genética que faz com que seus galhos cresçam para os lados, tocando o solo e criando novas raízes. Belo exemplo para a humanidade sem rumo.
Nós somos o que espalhamos, não o que juntamos. Não adianta possuir
palacetes para agradar o ego. De nada serve se vestir de ouro e ter a alma em farrapos. Quando Deus nos chamar, nem a roupa que seremos sepultados poderemos escolher. Somos filhos de Deus e não filhos da ganância, nem escravos do vil metal.
Lendo sobre passagens de monarcas, me deparei com a reação de um rei à
beira da morte: quando já moribundo, Felipe ll, que governou a Espanha, isso pelos anos 1500, chamou seus filhos, e, ainda consciente, lhes disse: Vejam, meus filhos em que acaba a realeza deste mundo”. Belo exemplo para ricaços, envaidecidos, orgulhosos, deslumbrados, vestindo a pele de ouro e alma em farrapos.
Aliás, hoje já olhou para o lado e viu a necessidade do outro? Um caminho a lhe mostrar para que sinta a vida menos pesada? Para que a esperança amanheça brilhando como o sol? Um abraço caloroso é muitas vezes o que o outro necessita.
Vamos, portanto, juntar nossas “Asas” para que todos unidos possamos voar em busca de um mundo onde o dor não reine, e que sejamos, metaforicamente, como Cajueiro de Pirangi.
