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Paulo Landim quer “gabinete de crise” para tratar da situação da Saúde em Araraquara

“Estão faltando remédios nos postos de saúde. Nós estamos falando da vida das pessoas. Saúde não tem partido”, ressalta o vereador do PT

Por José Augusto Chrispim

O vereador Paulo Landim (PT) vem acompanhando de perto a situação crítica que vive a área da Saúde em Araraquara atualmente. Como membro da Comissão de Saúde e Serviços Públicos, ele costuma denunciar a falta de medicamentos nos postos de saúde do município e as grandes filas de espera nas Unidades de Prontos Atendimento (UPA) e na Santa Casa, em suas falas na Tribuna Popular da Câmara Municipal.

A reportagem de O Imparcial falou com o vereador sobre esse e outros assuntos importantes que afetam a vida do araraquarense.

O petista, que está no seu terceiro mandato consecutivo, tendo presidido a Casa de Leis no último biênio, em 2023 e 2024, hoje integra a bancada de oposição ao governo do Dr. Lapena (PL).

Veja a entrevista na íntegra:

O Imparcial: Como membro da Comissão de Saúde na Câmara, como você vê a situação dessa importante área atualmente no município, e o que pode ser feito para melhorar?

Landim: “A saúde de Araraquara precisa ser tratada como prioridade, pois é um tema urgente. É necessário melhorarmos a gestão do atendimento básico de saúde e nas UPAs, para melhor ocupação das vagas e evitar a superlotação da Santa Casa. Não pode faltar medicamentos para pressão, diabetes, e tantos outros como vem acontecendo atualmente. Inclusive medicamentos de uso contínuo, pois, vai gerar superlotação. Repito: estão faltando remédios nos postos de saúde. Nós estamos falando da vida das pessoas. Imagina se quem estivesse passando por uma situação fosse uma pessoa querida de você? Saúde não tem partido. Para enfrentar essa situação, é necessário um gabinete de crise. Nosso sistema está com sobrecarga, e precisa ser tratado com a urgência que merece. É preciso reunir a secretária da saúde, o secretário de finanças, o provedor da Santa Casa, o diretor da DRS-3, a comissão de saúde da Câmara, responsáveis pelas unidades de saúde. Também precisamos melhorar a gestão do atendimento básico e nas UPAs, não apenas em Araraquara, mas em todas as cidades da região. Tivemos uma reunião com o diretor técnico da Santa Casa, que nos informou que cerca de 40% das pessoas que vão para a Santa Casa não são casos de alta complexidade. Ou seja, não deveriam ser encaminhadas para lá. Isso acaba prejudicando todo o atendimento. E também é preciso boa vontade política para resolver o problema. Por exemplo, a gestão Edinho Silva conseguiu, em 2024, cerca de R$ 80 milhões a mais para a Saúde de Araraquara, que também foi utilizado para os mutirões e para desafogar as filas. O prefeito precisa trabalhar, e ir buscar recursos em São Paulo e Brasília”.

O Imparcial: O que você acha da redução do Conselho Municipal de Cultura?

Landim: “Assim como em outros conselhos, o movimento desse governo é sobre a redução da participação popular. No Governo Edinho, era uma das principais bandeiras. Ter conselhos fortes e atuantes passa pelo desafio de receber críticas qualificadas sobre os temas. No caso da cultura especificamente, estamos diante de um governo que não faz sequer os repasses corretos para a FUNDART. Nem a participação popular, nem a cultura são prioridade do atual governo. Tivemos cadeiras representativas sendo tiradas, como juventude, idosos, LGBTQIA+, Folclore. O que traz muitas reflexões tendo em vista que a cultura não se limita a aquilo que determinado grupo aprecia, a cultura é o desenho da nossa sociedade em movimento e essas manifestações não acontecem só em um determinado território, estilo ou seguimento. A cultura precisa ser para todos. Muitas pessoas vão falar sobre a juventude, uma vez que a cultura tira os jovens das ruas, ocupa o tempo deles com lazer e desenvolvimento e realmente é muito preocupante. Mas o que mais me chamou atenção é sobre a participação dos idosos ser tirada desse conselho, sabendo da importância de manter tradições e memórias, além de enfrentar os dados que a sociedade está envelhecendo. Como presidente da comissão de idosos da Câmara e, após inclusive indicações e conversas profundas sobre o papel das oficinas culturais na vida social, na prevenção de problemas de saúde mental e da preservação da coordenação motora fina na velhice, sei da importância de ampliar a participação dos idosos inclusive na construção da cultura para a cidade”.

O Imparcial: Você acredita que os municípios atendidos pela Santa Casa de Araraquara deveriam contribuir com valores mensais para ajudar a custear os atendimentos?

Landim: “Com certeza. A Santa Casa de Araraquara é o principal hospital SUS da região, referência no atendimento para 24 municípios. Isso representa mais de mais de 1 milhão de habitantes. Entre essas cidades, temos algumas que têm hospitais, alguns deles inclusive sem dívidas, mas que não atendem intervenções de média ou alta complexidade. Não é justo que a Santa Casa de Araraquara esteja disponível para atender 24 municípios e apenas dois, Araraquara e Gavião Peixoto, estejam dispostos a pagar a conta, sabendo que a gestão de recursos é um dos maiores problemas da saúde pública. Mesmo que seja um valor menor, sabendo que são municípios que arrecadam menos, a ajuda deveria ser ao menos proporcional à população de cada um deles”.

O Imparcial: A cidade vive uma onda de insegurança nas escolas devido à falta de vigilantes, como você acha que essa situação pode ser resolvida?

Landim: “É necessário colocar vigilantes nas escolas, para garantir a integridade física da unidade escolar, assim como garantir a segurança e tranquilidade para os pais de alunos e alunas. E o investimento em vigilantes também significa economia dos recursos públicos, pois evita atos de vandalismo que, posteriormente, terão que ser consertados. Não só nas escolas, mas também nas unidades de saúde. Nessa gestão, vimos o transtorno causado pela retirada dos controladores de acesso das UPAs, e também os prejuízos que a falta de vigilantes causou nas unidades de saúde, com fios roubados e estruturas danificadas”.

O Imparcial: Como vereador o que você tem feito para melhorar a vida do araraquarense?

Landim: “Ao longo dos meus mandatos, já conquistei mais de R$ 5 milhões de emendas para a saúde. Recentemente, ao lado da deputada estadual Thainara Faria, consegui mais R$ 300 mil que foram utilizados em melhorias na Santa Casa, onde foram comprados 59 novos aparelhos de ar condicionado para os leitos SUS, já todos instalados, além de 11 poltronas confortáveis para acompanhantes. Também ao lado da Thainara, conseguimos R$ 200 mil para reformar as estruturas do comércio ambulante da Praça Santa Cruz, que já estão no caixa da Prefeitura desde 2025. Fui até Brasília entregar pessoalmente ao ministro da saúde, Alexandre Padilha, a demanda sobre o novo credenciamento dos leitos UTI da Santa Casa. Essa articulação resultou em um investimento superior a R$ 5,5 milhões que a Santa Casa irá receber por ano, significando ampliação das equipes e melhores condições de atendimento. Articulei a criação da Frente Parlamentar em Defesa e Garantia dos Direitos dos Idosos, da qual sou presidente. Estamos trabalhando bastante para assegurar e garantir o envelhecimento com dignidade, inclusão social e acesso a oportunidades nas diversas áreas de Araraquara. Além das articulações de verbas, meu mandato está fiscalizando a cidade e atendendo demandas da população a todo momento. E também fiscalizando a gestão da cidade, ao lado da bancada da oposição”.

O Imparcial: Como você enxerga a atuação da Câmara Municipal nas decisões que impactam na vida da população de Araraquara?

Landim: “A bancada de oposição da Câmara tentou muitas vezes passar projetos que impactam positivamente na vida da população, de câmeras de segurança, conforto climático, mais exames de ultrassom para grávidas, mais exames para recém-nascidos, mais qualidade de vida e saúde mental para os servidores e tantos outros. É preciso lembrar que primeiro o prefeito vetava e, depois, quando começou a ficar muito danoso para a imagem dele, a comissão de justiça, que tem maioria na base do prefeito, começou a vetar antes de ir para o plenário. A oposição é minoria, temos alguns que se dizem independentes, mas a maioria da Câmara é composta pela base do prefeito e muitas vezes vota ou articula para proteger a imagem desgastada do governo atual, não em nome da população. No fim, com pouco diálogo e em um palanque constante, muitas vezes os meus colegas descredibilizam a Casa de Leis em nome da defesa da incompetência alheia, ignoram bons projetos por decisões partidárias, ignorando também as necessidades da população de Araraquara”.

O Imparcial: Como você vê a atuação da Prefeitura nas decisões que impactam na vida da população de Araraquara?

Landim: “Vejo uma administração que, em muitos aspectos, tem atuado de forma amadora. Estamos falando de um governo que perdeu cerca de R$ 44 milhões em investimentos para reformas na educação. O mais difícil já estava feito: os recursos haviam sido conquistados. Bastava dar continuidade aos projetos e entregar as obras para a população. Infelizmente, esse não é um caso isolado. Há obras paradas por falta de acompanhamento e fiscalização, faltam medicamentos de uso contínuo na rede municipal e a assistência social perdeu capacidade de resposta justamente para quem mais precisa. É claro que toda gestão enfrenta limitações. O orçamento é restrito e não é possível atender todas as demandas ao mesmo tempo. Mas existe uma diferença entre fazer escolhas e deixar de cumprir o básico. Estamos falando de crianças na escola, de segurança alimentar, de acesso à saúde e de pessoas que dependem de medicamentos para viver. Cuidar dessas prioridades é a principal responsabilidade de qualquer governo. Além disso, a cidade transmite uma sensação de abandono. A zeladoria urbana piorou muito. Serviços essenciais, como poda de árvores, roçada, tapa-buracos, limpeza e pintura, deixaram de ter a frequência que a população espera. Antes também existiam reclamações, mas havia uma estrutura organizada para enfrentar esses problemas. Hoje, a percepção é de que a situação se agravou. Todos conhecemos as dificuldades financeiras da Prefeitura, que não começaram agora, não começaram no governo anterior, é a realidade dos municípios brasileiros. No entanto, administrar também significa buscar soluções. Quando faltavam recursos no governo anterior, buscávamos emendas parlamentares, convênios e apoio dos governos estadual e federal. Quando havia falta de fiscais, o próprio prefeito acompanhava de perto as obras para garantir que elas avançassem. O que não é aceitável é que, passados quase dois anos de governo, a justificativa continue sendo responsabilizar a gestão anterior por problemas que antes eram enfrentados e solucionados. É importante frisar que, mesmo com toda a reclamação, o atual governo aumentou a dívida da prefeitura a curto e a longo prazo, o que já desmonta essa narrativa. Para fazer diferente, primeiro era preciso manter aquilo que funcionava. Infelizmente, hoje a população convive com uma cidade que parece abandonada e com serviços públicos que perderam qualidade”, finalizou o vereador.

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