Genê Catanozi
Uma sensação cada vez mais comum nos nossos dias é o da instabilidade tanto profissional como emocional. Estamos sentindo um mundo que está girando rápido demais, e que os nossos pés já não conseguem pisar no mesmo lugar como um minuto atrás.
Segundo o filósofo grego Heráclito, tudo está em constante transformação e modificação, daí sua frase famosa que permanece viva até os dias de hoje: “Tu não podes descer duas vezes no mesmo rio, porque novas águas correm sempre por ti”. Para ele, nem o rio e nem quem nele se banha são os mesmos em dois momentos diferentes da existência. Com isso, Heráclito assinala o caráter inconstante da realidade.
O que está mais evidente é que, o mundo muda de rumo a todo instante e que, todos os referenciais que temos podem deixar de existir de uma hora para outra. Nesta era do conhecimento, as certezas disso ou daquilo deixaram de ter a importância devida. O confronto hoje é, quem está preparado para as mudanças que essa loucura do mundo competitivo e globalizado está nos impondo, devemos ou não entrar pra valer nessa onda, queremos ou não fazer parte dessa quebra de paradigmas.
No entanto, se pararmos para observar a nossa vida com mais atenção, provavelmente encontraremos uma grande somatória de pequenos detalhes que também estão provocando mudanças. Por exemplo, mudamos de trabalho, de endereço, de telefone, de amigos, de estado civil e o mais importante, mudamos de ideias. Com tudo isso, muitas vezes dizemos que continuamos os mesmos, não é uma contradição? E o que mais chama a atenção é que todas essas mudanças no nosso dia-a-dia, estão nos levando para uma mudança radical no ambiente em que vivemos, de qualquer forma se adaptar a tudo isso parece ser uma exigência pela sobrevivência.
Um outro pensamento pressupõe que, as transformações sempre ocorreram no decorrer da história universal, pois assim como o planeta, as espécies e toda a humanidade têm estado em permanente movimento, e consequentemente passando por seguidas e grandes adaptações. Mas hoje, com toda a tecnologia e o desespero pelo lucro, a sociedade foi jogada para o seguinte raciocínio: “Ora, se eu não modificar meus pensamentos, minhas atitudes e minhas competências, não conseguirei acompanhar a evolução do mundo e não poderei sequer manter a posição que tenho hoje. Vou ficar para trás. Portanto, se eu quiser pelo menos continuar como estou na relação com a sociedade em que vivo, devo mudar com ela”.
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, estamos em uma encruzilhada da instabilidade e da insegurança, não temos mais certezas de nada, precisamos urgentemente exercitar a nossa capacidade de percepção, nosso senso crítico, que aliás precisamos de uma grande ferramenta humana. A percepção permite a compreensão e a tentativa de adaptação frente a esses novos tempos. Aceitarmos a ambigüidade do mundo e decidir pelo qual caminho a seguir parece a maneira mais motivadora para determinados momentos, a não aceitação dessa realidade poderá nos levar a depressão e a paralisação do que temos de mais importante, que é o ato de pensar e raciocinar sobre os fatos.
Se alguém vê e diz que um copo de água está meio vazio, enquanto outro diz que o copo está meio cheio, ambos estão falando provavelmente sobre o mesmo copo, e não sobre dois copos diferentes. O que há neste exemplo são percepções diferentes. Pois na verdade, o copo está meio cheio e meio vazio.
Mas como também não existe mulher meio grávida, cabe a nós encararmos esta nova era pelo lado bom, isto é, como um desafio pela redescoberta do conhecimento. E qual seria esse conhecimento? Carl Gustav Jung, psicólogo e discípulo de Freud afirmava que: “Quem olha por fora, sonha. Quem olha por dentro, acorda “. E já que ninguém nasceu de chocadeira, o negócio é botar a mão na massa e seguir em frente.
