Em Araraquara, fazer uma colonoscopia pode levar até três anos e meio. Essa é a estimativa apresentada pela Secretaria Municipal da Saúde, em resposta ao Requerimento enviado à Prefeitura pela vereadora Filipa Brunelli (PT), após o recebimento de relatos sobre a demora na realização desses exames.
O documento ainda revelou que, até julho deste ano, 3.956 pacientes esperavam para fazer o procedimento, utilizado no rastreamento de alterações intestinais como pólipos, inflamações e sinais de câncer.
“Tal demanda contempla pacientes inseridos no sistema de regulação que aguardam disponibilidade de vagas para realização do procedimento, observados os critérios clínicos, assistenciais e regulatórios vigentes”, explica a pasta responsável.
A justificativa do Executivo é que mensalmente são registrados, em média, 235 novos pedidos, porém a rede pública de saúde consegue ofertar apenas 100 procedimentos no mesmo período, representando um déficit de 135 exames a cada 30 dias.
Mesmo com o tempo de espera elevado, o Município declarou que, entre 2024 até meados de 2026, foram realizadas 6.233 colonoscopias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento é feito em rede regional que, além da Santa Casa de Araraquara, ainda conta com o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Américo Brasiliense, São Carlos e Taquaritinga, e uma clínica particular, credenciada a partir de 2025.
Credenciamento de prestadores e recursos
Sobre a inclusão de mais prestadores privados, o que permitiria agilizar a execução dos serviços, a pasta informa que segue aberto um processo de credenciamento para ampliar a oferta de exames especializados, como a colonoscopia, mas não tem obtido sucesso pela falta de adesão das clínicas locais.
“Apesar da existência de disponibilidade orçamentária e financeira para ampliação da oferta do procedimento, a escassez de prestadores habilitados e interessados na prestação do serviço constitui atualmente um dos principais fatores limitantes para ampliação da capacidade assistencial e para redução mais célere da fila de espera”, admite a Secretaria.
Outra medida que vem sendo adotada pelo Município para diminuir a demanda de exames pendentes é a captação de recursos por meio de emendas parlamentares destinadas à assistência especializada em saúde.
De acordo com a Prefeitura, nos últimos exercícios, mais de R$ 1 milhão foi transferido para aumentar a oferta de procedimentos especializados, que incluem exames de alta e média complexidade aos usuários da rede pública municipal de saúde.
