Araraquara se despede de Amaral

Mestre e sambista, Carlos Alberto do Amaral marcou a cultura de Araraquara e região

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A cidade de Araraquara se despede nesta quinta-feira (17) do mestre e sambista Carlos Alberto do Amaral, que faleceu aos 66 anos de idade.

Amaral deixa um legado de carinho, generosidade e profunda saudade entre seus familiares e amigos.

Com talento, sensibilidade e generosidade, o araraquarense fez do samba uma forma de expressão, identidade e valorização da cultura negra, deixando um legado que seguirá vivo na memória da cidade e nas novas gerações.

A prefeitura de Araraquara emitiu uma nota de pesar pelo falecimento do músico. A despedida oficial será realizada na mesma data do óbito, reunindo a comunidade local para as últimas homenagens.

Uma vida dedicada ao samba

Desde criança, Amaral demonstrava paixão pelas baterias das escolas de samba. Aos 8 anos, trabalhava para ajudar a família vendendo amendoim e guardava parte do dinheiro que conseguia para comprar instrumentos musicais. A música, inicialmente uma paixão, ganhou espaço em sua vida até se transformar em profissão e em uma das principais marcas de sua história.

Entre amigos, Amaral participou da criação da torcida da Ferroviária “FerroChopp”, na qual atuava como diretor cultural e garantia a batucada com seus instrumentos. As apresentações em festas de clubes da cidade ajudaram a fortalecer sua relação com a música e com o público araraquarense.

A partir de 1981, Amaral passou a se dedicar integralmente à música. Seu primeiro grupo foi o “Só Pagode”, que posteriormente adotou o nome “Magnatas do Pagode”. Nos anos 1990, o grupo participou do 1º Festival de Pagode do Só Pra Contrariar e integrou as coletâneas “Só Pra Contrariar e Seus Convidados”. A música “Doce Mania”, de Zezinho Cipó, ganhou destaque e permaneceu nos arquivos de samba das emissoras de rádio.

Em 1997, Amaral mudou-se para Joaçaba, em Santa Catarina, onde fundou o projeto “Futuro do Samba”. De volta a Araraquara, participou do projeto “Circuito do Cabral”, no SESC Araraquara, e, a partir de 2000, deu início ao “Samba de Bamba”, iniciativa que se tornou parte de sua trajetória e de sua contribuição para a cena cultural da cidade.

Reconhecimento

O trabalho de Amaral também foi reconhecido pela Câmara Municipal. Em 2023, por iniciativa do então vereador João Clemente (Progressistas), o músico recebeu o Diploma de Honra ao Mérito, por meio do Decreto Legislativo nº 1.177. A homenagem destacou sua contribuição para o protagonismo do samba nas gerações dos anos 1990 e 2000 e para a projeção de Araraquara no cenário do pagode.

Ao recordar a importância do músico, João Clemente ressaltou, durante a homenagem, o papel de Amaral na transformação da cena musical da cidade. “Ele foi um dos pioneiros na difusão do samba e do pagode na cidade, rompendo barreiras do preconceito e lutando contra a desigualdade racial. O Amaral é o impulsionador, para não dizer o precursor, de um movimento em Araraquara através do samba que quebrou muitos paradigmas e lançou, como pode ser visto no movimento posterior de muitos músicos daqui de Araraquara, a possibilidade de que os negros fossem inseridos na música e depois ter destaque no cenário municipal”, afirmou.

Com talento, sensibilidade e generosidade, Carlos Amaral fez do samba uma forma de expressão, identidade e valorização da cultura negra. Ele deixa a esposa Cristiana Maria Leal Falcoski, os filhos Carlos Alberto, Felipe e Matheus e os netos: Emanuelle, Uriel, Olívia, Enrico, Serena.

Velório e sepultamento

O velório acontece a partir das 14h, no Lírios Cerimonial

O sepultamento às 17h30, no Lírio Cemitério Parque

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