No final de agosto, o vereador Alcindo Sabino (PT) encaminhou um Requerimento à Prefeitura de Araraquara solicitando informações sobre falta de tiras (ou fitas) reagentes para aferição de glicemia nas unidades de saúde do Município.
“A aferição regular da glicemia é fundamental para o acompanhamento e controle do diabetes, sendo necessário assegurar a disponibilidade contínua desse insumo aos pacientes que dele necessitam”, pontuou o parlamentar no documento.
Em resposta, a Secretaria Municipal de Saúde afirma que o desabastecimento no município foi solucionado na primeira quinzena de setembro. “Foram adotadas as providências necessárias para regularização do fornecimento e atualmente as unidades de saúde estão sendo abastecidas normalmente.”
A pasta acrescenta que o controle de desabastecimento é realizado pelo Almoxarifado Central de Medicamentos, por meio de planilha de acompanhamento em nível central. “A planilha não registra, de forma individualizada por unidade de saúde, a data exata em que teve início a falta do insumo. Dessa forma, as informações disponíveis permitem identificar o período de desabastecimento em nível central, mas não a data específica de início da falta em cada unidade.”
Segundo a secretaria, conforme o estoque foi reduzindo e não houve reposição suficiente para atender integralmente todas as unidades de saúde, foi realizado o gerenciamento do estoque, mantendo-se uma reserva para atendimento das unidades de urgência e emergência (UPAs, Samu, Unidade de Retaguarda). “Portanto, o dia 17 de agosto de 2026 é o marco inicial do desabastecimento”, afirma, acrescentando que o sistema informatizado não possui funcionalidade para filtrar os dados por condição clínica (por exemplo, diabetes).
“Nesse sentido, o acompanhamento dos pacientes insulinodependentes é realizado por meio de planilhas internas. Com base nos relatórios disponibilizados pelo sistema de gestão, no período de 1º de janeiro de 2025 a 28 de setembro de 2026, foram identificados 5.084 pacientes que realizaram retiradas de tiras reagentes.”
A pasta, no entanto, ressalta que esse quantitativo é estimado, uma vez que, para a contabilização, foram excluídos registros com nomes repetidos. “Dessa forma, na ocorrência de pacientes homônimos, pode haver subestimação do número total de pacientes.”
Quantidade
De acordo com a Secretaria, a quantidade mensal de tiras reagentes é definida com base no consumo mensal de cada unidade de saúde.
“Considerando que o paciente possui liberdade para retirar os produtos em qualquer farmácia do município, o quantitativo para reposição é calculado com base no consumo registrado no mês anterior, acrescido de 25% como estoque de segurança.”
Reforça a pasta que caso, durante o período, o farmacêutico identifique um consumo acima do previsto, poderá solicitar um pedido extra, não sendo necessário aguardar a data da próxima reposição.
“Considerando a redução dos estoques e a necessidade de manter o atendimento, durante o período anterior ao desabastecimento, foram realizadas entregas parciais às unidades de saúde, conforme a disponibilidade do estoque no almoxarifado central de medicamentos.”
Estoque
A Secretaria coloca que, sempre que o estoque disponível chega à quantidade inferior à necessidade estimada para dois meses de consumo, são iniciados os trâmites para uma nova aquisição.
“Dessa forma, as compras não são realizadas em uma periodicidade fixa, mas de acordo com a necessidade identificada a partir do acompanhamento dos estoques e do consumo.”
Desabastecimento
Segundo a pasta, não houve falha no planejamento de aquisição ou reposição dos produtos. O desabastecimento teria ocorrido em razão de pendências financeiras relacionadas a exercícios anteriores, especialmente do ano de 2022, cujo acordo de pagamento com a empresa fornecedora não foi cumprido conforme estabelecido.
“Assim, houve impacto na continuidade das entregas pela empresa. Foram adotadas providências para regularizar a situação e restabelecer o fornecimento dos produtos”, lê-se no documento.
Enfatiza que, nesse período, apesar das medidas adotadas para reposição do estoque, fatores relacionados ao fornecimento e à regularização de obrigações financeiras anteriores acabaram impactando a continuidade das entregas, resultando na interrupção temporária do abastecimento.
A Secretaria também detalha que, no período de setembro de 2025 a setembro de 2026, houve uma interrupção no fornecimento de 17 de agosto a 10 de setembro de 2026, totalizando 25 dias.
“O controle do estoque de faltas é realizado de forma centralizada, pelo almoxarifado de medicamentos, permitindo o acompanhamento da situação e a adoção das medidas necessárias para regularização do abastecimento o mais rápido possível.”
Acompanhamento
A Secretaria destaca que, após discussão em reunião, passou a realizar o acompanhamento semanal dos estoques mantidos pelo almoxarifado de medicamentos, permitindo identificar com maior rapidez qualquer variação nos níveis de estoque.
Todos os detalhes e números apresentados pela pasta podem ser conferidos nos documentos da resposta.
Atenção
“Estamos falando de pessoas com diabetes que precisam monitorar diariamente a glicose. Para esses pacientes, a tira não é um item secundário, é um insumo necessário ao acompanhamento da saúde”, avalia o vereador.
O parlamentar pontua que, embora a Prefeitura afirme que o abastecimento foi normalizado na primeira quinzena de setembro, os próprios registros apontam pedidos extras e reposições urgentes em diversas unidades no final daquele mês. “É necessário esclarecer se os estoques foram efetivamente restabelecidos e se há segurança de fornecimento para os próximos meses.”
Para Alcindo, a interrupção no fornecimento de insumos essenciais pode comprometer o acompanhamento adequado dos pacientes e a continuidade da assistência prestada pela rede municipal de saúde.
“A disponibilidade regular desse insumo é necessária para que os pacientes possam realizar o acompanhamento de seus níveis glicêmicos e manter o adequado controle da doença”, observa.






























