Edna Martins (*)
Mais do que uma data simbólica, o Dia Internacional da Mulher é um chamado à sociedade para reconhecer direitos, enfrentar a violência e afirmar plenamente a humanidade das mulheres.
O 8 de março não é apenas uma data no calendário. É um marco de memória, reflexão e reafirmação de um propósito que atravessa gerações: a igualdade de direitos.
Ainda que a sociedade muitas vezes proclame a igualdade, a experiência feminina revela outra realidade. Persistem sentimentos de inadequação, de não pertencimento e de invisibilidade. Muitas mulheres continuam a viver em um mundo que frequentemente as escuta pouco, as compreende menos e, não raramente, lhes nega reconhecimento pleno.
Como já afirmou a ministra Cármen Lúcia, as mulheres muitas vezes são tratadas mais como pontos de referência do que como sujeitos de direitos. São reconhecidas em papéis sociais — mães, esposas, cuidadoras — mas ainda lutam para serem reconhecidas, antes de tudo, como pessoas plenas de direitos.
A história das mulheres é, portanto, uma história de busca por reconhecimento. Uma jornada que atravessa gerações e que passa por diferentes etapas de amadurecimento político e social.
A própria tradição bíblica, no livro de Eclesiastes, lembra que “há tempo para todo propósito debaixo do céu”. Também na história das mulheres houve tempos distintos.
Houve o tempo da busca pela igualdade em um mundo estruturado a partir de parâmetros masculinos — um mundo que, muitas vezes, parecia inacessível justamente porque ignorava as diferenças.
Depois veio o tempo de reconhecer essas diferenças sem que elas servissem como justificativa para exclusão. Assim fortaleceu-se uma ideia fundamental: não se trata de sermos iguais em tudo, mas de termos iguais direitos.
Esse reconhecimento é, antes de tudo, o reconhecimento da humanidade das mulheres. Significa olhar para elas com respeito, sem culpabilização prévia e sem exigir que carreguem sozinhas o peso das contradições sociais.
Os números da violência contra a mulher, que hoje finalmente começam a sensibilizar instituições e parte da sociedade, não são novos. Há décadas são denunciados por movimentos de mulheres e por pesquisadoras que insistem em mostrar uma realidade frequentemente ignorada.
Durante muito tempo, porém, preferiu-se perguntar o que a mulher teria feito para provocar a violência, em vez de enfrentar o problema em sua verdadeira dimensão.
O 8 de março nos lembra que chegou a hora de mudar definitivamente essa lógica.
É tempo de reconhecer o papel das mulheres na história, garantir seus direitos e afirmar, sem ambiguidades, sua plena humanidade. Somente assim será possível construir uma sociedade mais justa — uma sociedade em que mulheres e homens possam viver com dignidade, respeito e paz.
(*) Socióloga, Doutora em Linguística e Vice-Presidente do PSDB Mulher – SP




























