Isabela Mattos/Colaboração
As escolas profissionalizantes são uma alternativa para quem busca qualificação e uma porta de entrada para o primeiro emprego. Mais do que conquistar um certificado, o desafio é garantir que o conhecimento adquirido esteja alinhado às necessidades das empresas e às oportunidades disponíveis em cada região. Para falar sobre esse cenário, o Jornal Imparcial entrevistou Alessandra Mattos, mulher de direita, candidata a deputada estadual pelo Republicanos e apoiadora do governador Tarcísio de Freitas. À frente de uma pauta ligada ao ensino profissionalizante, Alessandra fala sobre a relação entre educação e empregabilidade, a participação de escolas privadas em políticas públicas e a possibilidade de ampliar parcerias com o Governo do Estado.
Leia a entrevista na íntegra:
Imparcial: Quando falamos em educação profissionalizante, muitas vezes pensa-se apenas no diploma. Hoje, o jovem quer saber: “esse diploma vai me colocar no mercado de trabalho?”. Você acredita que existe uma falta de conexão entre os cursos que são oferecidos pelas escolas de ensino profissionalizante e aquilo que as empresas realmente procuram?
Alessandra Mattos: “Sim, existe. E eu consigo falar dos dois lados, porque estou há mais de 20 anos dentro da educação profissional e também tenho uma empresa de recrutamento e seleção. Então eu vejo a escola formando e vejo a empresa contratando. E muitas vezes existe um espaço entre as duas. Hoje não adianta simplesmente entregar um certificado. O aluno quer saber: ‘isso vai me ajudar a trabalhar?’. E a empresa, ao mesmo tempo, diz que tem vaga, mas não encontra pessoas preparadas. É essa ponte que precisamos fortalecer. Educação profissional precisa estar conectada com o mercado de trabalho. Precisa qualificar, preparar e aproximar da oportunidade.”
Imparcial: Você defende que escolas profissionalizantes tenham uma participação maior nas políticas públicas. De que forma o Estado poderia contribuir com isso, na prática?
Alessandra Mattos: “Primeiro reconhecendo que essas escolas podem ser grandes parceiras do Estado. Nós temos escolas profissionalizantes e de cursos livres espalhadas por São Paulo inteiro. São estruturas que já existem, com salas de aula, laboratórios, professores e conhecimento. Então, em vez de o poder público precisar criar uma estrutura nova para tudo, por que não utilizar também aquilo que já existe? Podemos pensar em credenciamento, bolsas, vouchers ou compra de vagas para qualificar pessoas que precisam entrar ou voltar para o mercado de trabalho. Mas sempre com regra, fiscalização e resultado. Não é simplesmente colocar dinheiro em escola privada. É usar uma estrutura que já existe para levar qualificação a quem precisa dela.”
Imparcial: Como candidata a deputada estadual pelo partido Republicanos, você declara seu apoio ao governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas. O governo Tarcísio trabalha com parcerias com instituições como SENAI e SENAC. Como essa parceria poderia ser ampliada para incluir mais escolas profissionalizantes privadas? Quais critérios deveriam ser utilizados para escolher as instituições?
Alessandra Mattos: “Eu acredito que aquilo que funciona deve continuar, mas também pode ser ampliado. SENAI, SENAC e outras instituições fazem um trabalho importante. Mas São Paulo é enorme e existe uma rede muito grande de escolas profissionalizantes privadas e de cursos livres que também pode contribuir. Eu defenderia um processo de credenciamento transparente. A escola teria que comprovar sua estrutura, capacidade de atendimento, profissionais preparados, documentação e qualidade do curso. E eu acrescentaria uma coisa fundamental: resultado. Eu quero saber quantas pessoas começaram, quantas concluíram e, principalmente, se aquela formação está realmente conectada às oportunidades existentes naquela região. Dinheiro público precisa ter fiscalização e precisa entregar resultado para a população.”
Imparcial: Caso essa parceria seja ampliada e firmada entre Estado e iniciativa privada, onde termina a responsabilidade do governo e começa o papel das escolas profissionalizantes privadas?
Alessandra Mattos: “É muito claro. O Estado cria a política pública, estabelece os critérios, identifica onde existe necessidade, fiscaliza a aplicação dos recursos e acompanha os resultados. A escola entrega aquilo para o qual foi contratada: estrutura, ensino de qualidade, profissionais preparados e acompanhamento do aluno. Eu não defendo dependência do setor privado em relação ao governo. Eu defendo parceria. O governo não precisa fazer tudo sozinho quando existem boas estruturas prontas para ajudar. Cada um assume sua responsabilidade e quem precisa ganhar com isso é a população.”
Imparcial: Você representa um segmento que tem interesse direto na expansão do ensino profissionalizante. Como você pretende convencer o eleitor de que essa é uma pauta de interesse público e não apenas uma defesa do setor privado de educação?
Alessandra Mattos: “Porque a minha defesa não é simplesmente do dono da escola. É de toda uma cadeia. Quando uma pessoa desempregada faz um curso e consegue uma oportunidade, não foi só a escola que ganhou. Ganhou aquela pessoa, ganhou a família dela, ganhou a empresa que precisava daquele profissional, ganhou a economia da cidade e ganhou o Estado. Eu conheço a falta de oportunidade. E talvez por isso eu tenha escolhido justamente essa bandeira. Para mim, educação profissional é uma das maneiras mais rápidas de uma pessoa mudar sua realidade através do próprio trabalho. Então eu costumo resumir assim: minha defesa não é simplesmente do CNPJ da escola. Minha defesa é do CPF de quem precisa de uma oportunidade para mudar de vida.”
Imparcial: Você defenderia um modelo em que o Estado pudesse contratar vagas em escolas profissionalizantes privadas para atender estudantes da rede pública? Esse seria um de seus projetos, caso seja eleita? Qual seria a sua primeira proposta concreta relacionada à educação profissionalizante?
Alessandra Mattos: “Sim, eu defenderia. Mas eu começaria pela demanda e não pelo curso. Primeiro precisamos perguntar: quais profissionais as empresas estão procurando em cada região de São Paulo? Onde estão as vagas que não conseguem ser preenchidas? Depois nós olhamos para as escolas capacitadas para formar essas pessoas. A partir daí, o Estado poderia contratar vagas nessas instituições credenciadas e oferecer essa oportunidade para quem precisa se qualificar. Porque eu não quero criar curso simplesmente para dizer que abrimos dez mil ou vinte mil vagas. Eu quero saber quantas dessas pessoas tiveram uma oportunidade depois.”
Imparcial: Para finalizar, caso seja eleita e chegue à Assembleia Legislativa, qual seria a primeira coisa que você tentaria trazer para Araraquara e região na área da educação profissionalizante?
Alessandra Mattos: “Eu começaria fazendo uma grande conexão entre empresas, escolas profissionalizantes, poder público e quem está procurando uma oportunidade. Quero levantar quais são as profissões que Araraquara e nossa região mais precisam hoje e quais serão necessárias nos próximos anos. Depois, direcionar a qualificação para essas necessidades. Porque não adianta formar 500 pessoas para uma área que tem 20 vagas e deixar outra área com 300 vagas abertas porque não encontra gente preparada. Quero que Araraquara seja referência nesse modelo de qualificar olhando para onde está a oportunidade. E tem mais uma pauta que eu quero levar daqui para uma discussão maior, inclusive buscando nossos deputados federais e senadores.
Jovem Aprendiz e primeiro emprego
“Eu sou de uma geração que conheceu os antigos ‘guardinhas mirins’. Quantos jovens começaram por ali? Aprendiam horário, responsabilidade, convivência, trabalho e começavam a descobrir uma profissão. Hoje a legislação já permite a aprendizagem profissional a partir dos 14 anos. Então eu não quero acabar com direitos e muito menos diminuir a proteção desses adolescentes. O que eu quero é discutir com Brasília, com deputados federais e senadores, o que pode ser modernizado e desburocratizado para que contratar um jovem aprendiz volte a ser algo atrativo para muito mais empresas. Precisamos ouvir as empresas também. Entender o que dificulta, o que gera insegurança, o que pode ser simplificado e quais caminhos podem incentivar a abertura de muito mais vagas. Porque eu prefiro um jovem de 14, 15 ou 16 anos, no período em que não está estudando, tendo contato protegido com o mundo do trabalho, aprendendo uma profissão e tendo perspectiva de futuro, do que vulnerável na rua aprendendo aquilo que não deveria. E aí tudo se conecta: escola, qualificação, empresa, primeiro emprego e oportunidade. Essa é uma pauta que ultrapassa a Assembleia Legislativa porque envolve legislação federal. Por isso eu quero buscar essa parceria com deputados federais e senadores. Nós precisamos fazer o Jovem Aprendiz ser novamente uma grande porta de entrada para o mercado de trabalho. Porque, para mim, educação profissional não pode terminar em um certificado na parede. Ela precisa terminar em oportunidade”, finalizou Alessandra.

























