O preço médio da cesta básica em Araraquara subiu novamente, registrando em janeiro um aumento de 1,05%, segundo a pesquisa mensal do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara. O valor passou de R$ 1.048,41 em dezembro para R$ 1.059,41 no último mês, encarecimento de R$ 11,00. Pressionada principalmente pelo aumento da carne bovina e de itens de higiene pessoal, a cesta passou a representar quase 70% do salário-mínimo, exigindo mais de 153 horas de trabalho para sua aquisição.
Dois dos três grandes grupos que compõem a cesta apresentaram aumento de preço no mês de janeiro:
1) Alimentação, que possui maior peso no custo total da cesta, apresentou variação positiva de +1,16% ou aumento de R$ 9,90 no preço médio e 2) Higiene pessoal inflacionou +1,72%, o que significou um aumento de R$ 2,82. Já o grupo de limpeza doméstica apresentou queda de 1,55%, equivalente a uma redução de R$ 1,07.
Ainda sobre o mês em análise, os itens com maior aumento percentual foram: 1) Carne de primeira – contrafilé (+8,3%); 2) Sabonete em barra (+6,1%); 3) Farinha de trigo (+5,5%); 4) Açúcar refinado (+3,6%) e 5) Molho de tomate (+3,0%). E os produtos com maior decréscimo percentual foram: 1) Cebola (-19,4%); 2) Batata (-17,1%); 3) Alho (-12,4%); 4) Sabão em barra (-14,6%); 5) Ovos brancos (-3,8%).
Em termos monetários, a carne de primeira – contrafilé – foi o item que mais contribuiu no custo médio da cesta, com acréscimo de R$ 13,24, resultado da elevação de R$ 4,41 por quilo. Na outra ponta, o item que mais aliviou o bolso dos consumidores foi a batata, com um decréscimo de R$ 3,21 no custo da cesta analisada, em razão da diminuição de R$ 0,80/kg.
A carne bovina iniciou janeiro com preços elevados, refletindo a continuidade da demanda interna e, sobretudo, o bom desempenho das exportações. Segundo o Cepea/ESALQ-USP, mesmo com a expectativa de avanço gradual da produção ao longo do ano, a oferta de animais para abate seguiu relativamente restrita no início do período, em função da dificuldade de reposição e da retenção de fêmeas. Ao mesmo tempo, o mercado externo permaneceu aquecido, favorecido pelo câmbio desvalorizado e pela menor oferta mundial de carne bovina, o que contribuiu para sustentar as cotações no mercado doméstico. Com esse cenário, os preços do boi gordo e da carne no atacado mantiveram-se em patamares elevados nas principais praças, sem sinal de recuo sazonal típico do começo do ano.
O arroz branco foi o segundo item com o maior aumento em valores monetários em janeiro. Ainda de acordo com o Cepea, os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul seguiram firmes principalmente no fim do mês, sustentados pela demanda doméstica acima do interesse vendedor. A reposição de estoques nos segmentos atacadista e varejista aumentou a liquidez em relação às semanas anteriores.
Já a batata apresentou comportamento volátil em janeiro, refletindo a alternância entre momentos de maior oferta e restrições pontuais causadas pelas chuvas. Segundo o HF Brasil/Cepea, o aumento da disponibilidade da safra das águas ao longo do mês pressionou as cotações nos atacados, levando a quedas expressivas em meados de janeiro. No entanto, no fim do período, as chuvas nas regiões produtoras reduziram a oferta e impulsionaram os preços nos principais entrepostos. Assim, a combinação entre oferta elevada e efeitos climáticos pontuais resultou em oscilações nas cotações ao longo do mês, com recuperação parcial dos preços no encerramento de janeiro.
Inflação acumulada em 12 meses
No acumulado em 12 meses, a cesta básica subiu R$ 1,93 – o que corresponde a 0,18% de aumento. Dois dos três grandes grupos tiveram seus preços incrementados.
O grupo de higiene pessoal obteve inflação de +7,92% ou R$ 9,07 e os produtos de limpeza doméstica registraram aumento de +1,73% ou R$ 1,16. Os itens de alimentação tiveram queda de -0,95%, o equivalente a R$ 8,31.
Com relação aos itens da cesta, 15 dos 32 produtos apresentaram aumento de preço entre os meses de fevereiro de 2025 e janeiro de 2026. Os itens que apresentaram maior alta acumulada foram: 1) Margarina vegetal (+14,89%); 2) Sabonete em Barra (+13,73%); 3) Creme dental (+11,32%); 4) Café Torrado e Moído (+10,86%); 5) Carne de Segunda – Acém (+9,62%). Os que apresentaram as maiores reduções foram: 1) Alho (-43,93%); 2) Arroz branco (-25,58%); 3) Queijo muçarela – peça (-20,84%); 4) Cebola (-16,03%); 5) Açúcar Refinado (-8,63%).
Inflação nacional
Em janeiro de 2026, o subgrupo Alimentação no domicílio do IPCA-15, divulgado pelo IBGE, registrou aumento de +0,21%. O subgrupo Artigos de limpeza obteve uma inflação de 0,31% e o subgrupo de Higiene pessoal foi incrementado em 1,38% no período.
No cálculo do IGP-M, índice de preços elaborado pela FGV-IBRE, o grupo de Alimentação passou de variação negativa (-0,07%) em dezembro para alta de +0,66% em janeiro. O grupo Habitação, que incorpora o subgrupo Material para limpeza, passou de +0,42% em dezembro para 0,06% em janeiro. Já o grupo Saúde e cuidados pessoais, que incorpora o subgrupo Artigos de higiene e cuidado pessoal, apresentou variação de -0,09% para +0,60% no mês analisado.
Salário-mínimo
O custo médio da cesta básica em Araraquara representou até o mês de janeiro de 2026 cerca de 69,8% do salário-mínimo. O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta, para um trabalhador que ainda recebia o piso nacional vigente de R$ 1.518,00, ficou em 153 horas e 32 minutos, aproximadamente. Essa jornada é levemente superior ao mês anterior, dezembro de 2025, quando eram necessárias 151 horas e 56 minutos de trabalho para consumir a mesma quantidade de produtos.
O valor está aproximadamente 5,1 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior: em janeiro de 2025, o valor da cesta básica representava 74,9% do salário-mínimo vigente à época. Em janeiro de 2024 e 2023, a cesta básica custava, em média, R$ 944,67 e R$ 952,82, representando, respectivamente, 66,9% e 73,2% do salário-mínimo do araraquarense.
Comparativo com a cesta básica de capitais brasileiras
Em janeiro de 2026, o custo da cesta básica aumentou em 24 das 27 capitais pesquisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo DIEESE em parceria com a Conab. As elevações mais expressivas foram observadas em Manaus (4,44%), Palmas (3,37%) e Rio de Janeiro (3,22%). As quedas ocorreram em São Luís (-0,57%), Teresina (-0,51%) e Natal (-0,22%)
Na comparação entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, limitada às 17 capitais com série histórica completa — uma vez que a coleta de preços nas demais teve início apenas em meados de 2025 —, o custo da cesta básica aumentou em oito capitais e diminuiu em nove.
Entre os produtos que mais contribuíram para as quedas mensais, destacou-se o arroz agulhinha, cujo preço diminuiu em 23 das 27 capitais, influenciado pelos altos estoques. O preço do óleo de soja foi reduzido em 25 capitais, reflexo de uma expectativa de maior oferta, da fraca demanda doméstica e da valorização do real frente ao dólar. Também houve redução no preço do café em 22 capitais, associada a um choque entre oferta pressionada e demanda enfraquecida.
Por outro lado, o tomate registrou aumento em 26 capitais, em razão da oferta restrita, com taxas de até 63,5% em Cuiabá e 58,2% no Rio de Janeiro. O pão francês também registrou aumento, em 22 capitais, explicado pelos aumentos de custos da energia elétrica e da farinha importada.





























