quinta-feira, 18, abril, 2024

Pesquisadora do CDMF/FAPESP conquista um projeto Marie Curie na Sorbonne Paris

O projeto europeu TREX-MPs tem como principal objetivo alcançar de forma sustentável a decomposição de microplásticos

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A doutora Amanda Gouveia, pesquisadora do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF/CEPID/FAPESP) e contratada pós-doutorada no grupo de pesquisa em Química Teórica e Computacional (QTC) do Departamento de Química Física e Analítica da Universitat Jaume I (UJI/Espanha), liderado pelo Prof. Juan Andrés, obteve um projeto Marie Curie na Sorbonne Paris (França) intitulado “Theory-Driven Engineering of Photocatalysts for Microplastics Degradation” (TREX-MPs).

Este projeto europeu TREX-MPs recebeu um financiamento de 211 mil euros e tem um prazo de execução de 24 meses, sendo realizado em colaboração com o LCT, liderado pela Profa. Monica Calatayud. Projetos Marie Curie deste tipo são altamente competitivos e menos de 15% dos solicitados receberam financiamento após passar por diferentes fases de avaliação realizadas por painéis de pesquisadores e tecnólogos de reconhecido prestígio internacional.

A cientista brasileira esclarece que o projeto TREX-MPs tem como principal objetivo alcançar de forma sustentável a decomposição de microplásticos, que estão se tornando rapidamente uma séria ameaça tanto para os seres humanos quanto para o meio ambiente. “Os materiais utilizados são óxidos de metais de transição que possuem notáveis propriedades catalíticas. Sua estrutura cristalina única, morfologia e características superficiais proporcionam múltiplos locais ativos para degradar as estruturas moleculares complexas dos polímeros que constituem os microplásticos, convertendo-as em subprodutos menos prejudiciais ao meio ambiente. Eles também podem ser projetados seletivamente para contaminantes específicos, permitindo uma abordagem personalizada para o tratamento da água”, explica a doutora Amanda.

“É um motivo de orgulho e reconhecimento da excelência do trabalho realizado em equipe pelo CDMF em cooperação internacional com o Prof. Juan Andrés, da Universitat Jaume I, na Espanha, esta conquista da doutora Amanda Gouveia de um projeto Marie Curie na Sorbonne Paris, uma das universidades mais importantes do mundo”, disse o Prof. Dr. Elson Longo, diretor do CDMF, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), com sede na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) 

Nos últimos três anos e meio, Amanda foi pesquisadora de pós-doutorado, de setembro de 2020 a agosto de 2022, por meio do programa POSDOC da UJI, e após este período, até o momento atual, por meio de um contrato CIAPOS financiado pela Generalitat Valenciana. Durante esses anos, ela realizou várias estadias de pesquisa no Brasil, no CDMF na UFSCar e no Laboratório Nacional de Nanotecnologia, em Campinas; no Instituto de Ciência e Tecnologia de Materiais da Universidade de Mar del Plata, na Argentina; e no “Laboratoire de Chimie Théorique” (LCT) da Universidade Sorbonne Paris, França.

Amanda Gouveia obteve seu doutorado em 2018 na UFSCar, no CDMF, sob a orientação do Prof. Elson Longo, com financiamento da FAPESP.  Durante esse período, realizou um ano de doutorado sanduíche na UJI, sob a orientação do Prof. Juan Andrés, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) por meio do Programa Institucional de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE). Além disso, passou mais 5 meses na UJI com financiamento da FAPESP por meio da Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE).

A cientista brasileira está trabalhando em uma das áreas de pesquisa do Laboratório de QTC, especificamente em uma linha interdisciplinar focada no estudo teórico e experimental de semicondutores, com ênfase na modulação de suas morfologias e aplicações tecnológicas, tais como sensores, materiais biocidas, catalisadores e fotocatalisadores.

Cooperação internacional

O Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) mantém com a Universitat Jaume I um estreito relacionamento de pesquisa e inovação teórico-experimental. Atualmente, estão sendo desenvolvidos novos métodos de síntese à base de reações químicas utilizando laser em femtosegundos, por meio dos quais se obtêm resultados inéditos que se mostraram altamente bactericida.

Esta cooperação internacional entre o Prof. Elson Longo e Prof. Juan Andrés teve início em 1988, com a orientação de tese de doutorado do Prof. Dr. Armando Beltran, em Estabilização de Zircônia. Em função dos bons resultados obtidos, foram enviados para a Universitat Jaume I os professores Júlio Sambrano, João Batista Martins e Fabrício Sensato, que realizaram seus doutorados em teoria de semicondutores. Desde meados dos anos de 1990 até a presente data participaram da desta cooperação internacional na Universidade Jaume I, na Espanha, os pesquisadores brasileiros: Claudio Nahum Alves, Sérgio Lazaro, Marcos Anicete, Mário Lúcio Moreira, Felipe La Porta, Amanda Gouveia, Camila Foggi, Marcelo Assis, Lara Ribeiro, Rafael Ciola, Luis Presley Santos, Maria Tereza Fabbro, Maurício Bomio, Samanta Custódio Silva, Aline Trench, Vinicius Teodoro, Mayara Monego Teixeira, Paula Fabiana Pereira e Matheus Ferrer. Atualmente, estes pesquisadores são professores em diferentes universidades do país e mantêm estreita relação até hoje com a Universidade Jaume I.

CDMF

Com sede  na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e dirigido pelo Prof. Dr. Elson Longo, o CDMF é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e recebe também investimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a partir do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN).

Redação

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