Mães atípicas pedem apoio de vereadores contra descredenciamento da APAE pela Unimed

Com mais de mil assinaturas, abaixo-assinado pede que Unimed mantenha o atendimento de pacientes na APAE

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Isabela Mattos/Colaboração

As mães atípicas Ana Carolina Farias e Priscila Lux utilizaram a tribuna popular da Câmara Municipal de Araraquara durante a sessão ordinária do dia 27 de outubro, para pedir o apoio dos vereadores contra o descredenciamento da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) pela Unimed Araraquara para a realização de terapias pelo método ABA (Análise do Comportamento Aplicada). As famílias temem que a mudança comprometa a qualidade e a continuidade dos atendimentos oferecidos a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências. Durante sua fala, Priscila Lux explicou que os filhos das famílias envolvidas são beneficiários da Unimed e foram encaminhados à APAE justamente por apresentarem quadros mais complexos, como autismo nível 3 de suporte e deficiências intelectuais graves ou severas. Segundo ela, embora a Unimed não esteja suspendendo a oferta de terapias ABA, a transferência dos atendimentos o serviço próprio da Unimed, o Univida, representa uma mudança que, na avaliação das famílias, não oferece condições equivalentes às encontradas na APAE. Um dos principais pontos de preocupação é a estrutura de atendimento. Priscila destacou que o Núcleo de Atendimento ao Autismo da APAE conta com o Parque Terapêutico Ana Laura, que foi inaugurado em 2015 e integra o ambiente de atendimento e oferece recursos adaptados às necessidades dos pacientes. Outro aspecto levantado é o suporte oferecido durante as sessões. Como exemplo, Priscila relatou a rotina do filho, de 16 anos, que realiza 4 horas diárias de terapia ABA, totalizando 20 horas semanais. O adolescente faz uso de fraldas e necessita de auxílio para locomoção e alimentação. De acordo com ela, durante o período em que permanece na APAE, o jovem conta com cuidadores responsáveis pela higiene e pelos demais cuidados necessários. Na estrutura proposta pelo Univida, segundo o relato da mãe, esse suporte não estaria disponível da mesma maneira, cabendo aos pais realizar procedimentos como a troca de fraldas. Além disso, Priscila também questionou a dinâmica prevista para a troca de terapeutas. De acordo com ela, os responsáveis precisariam retirar os pacientes das salas, conduzi-los até a recepção para realizar a biometria e, depois, encaminhá-los ao próximo ambiente de atendimento. Para as famílias, esse procedimento pode provocar desregulação comportamental e comprometer o aproveitamento das terapias, especialmente entre pacientes que apresentam maior dificuldade para lidar com mudanças de rotina e de ambiente.

Priscila também ressaltou que a estrutura da APAE foi preparada para atender pacientes com necessidades mais complexas, com ambientes adaptados para reduzir riscos de acidentes e preservar a integridade dos atendidos durantes as atividades terapêuticas.

Abaixo-assinado

Além da mobilização na Câmara Municipal, as famílias organizaram um abaixo-assinado, criado por Ana Carolina Farias da Silva, pedindo que a Unimed reconsidere a decisão de descredenciar a APAE para as terapias ABA. O documento destaca a importância da instituição no atendimento especializado e afirma que muitas famílias enfrentam dificuldades para encontrar alternativas acessíveis e adequadas às necessidades de seus filhos.

Até o fechamento desta matéria, a petição reunia 1.062 assinaturas. A mobilização busca sensibilizar a operadora para que o credenciamento seja mantido e os pacientes continuem recebendo atendimento na estrutura da APAE.

O que diz a Unimed

A Unimed Araraquara informou que o descredenciamento da APAE se refere, neste momento, exclusivamente à prestação de terapias ABA. Os demais atendimentos e especialidades realizados pela instituição permanecem disponíveis normalmente.

A operadora afirma que a mudança faz parte de uma adequação operacional e que os atendimentos serão absorvidos pelo Univida, serviço próprio que conta com estrutura especializada e profissionais capacitados para a realização das terapias.

A Unimed também informou que está respeitando o prazo de aviso prévio de 60 dias antes da efetivação do descredenciamento. Durante esse período, os beneficiários passarão por avaliações individuais realizadas pela equipe do Univida, considerando as necessidades e particularidades de cada paciente. A empresa convidou pais e responsáveis para conhecer as instalações do serviço, conversarem com os profissionais e esclarecerem dúvidas sobre a estrutura e os atendimentos.

Por fim, a operadora reforçou que seu compromisso é garantir que nenhum beneficiário fique desassistido e afirmou que a continuidade do cuidado, o respeito às necessidades individuais e o diálogo com as famílias são prioridades.

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