sexta-feira, 1, março, 2024

Alunos de Psicologia da Uniara analisam, em TCC, o sofrimento de universitários com TEA

Estudo de Gustavo Cesar Gandolfi e Luís Felipe Morais (in memoriam) foi orientado pelo professor Alexandre Fachini

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Os estudantes da graduação de Psicologia da Universidade de Araraquara – Uniara, Gustavo Cesar Gandolfi e Luís Felipe Morais (in memoriam), são os autores do Trabalho de Conclusão de Curso – TCC “Sofrimento Psíquico de Alunos com Transtorno do Espectro Autista no Ensino Superior do Estado de São Paulo”, orientado pelo professor Alexandre Fachini.

“As pessoas autistas, todos os dias, têm deixado a invisibilidade. Esses jovens têm alcançado o ensino superior de forma exponencial. Nesse contexto, uma vez que muito pouco se tem de produção acadêmica a respeito das pessoas autistas no ensino superior, de que forma as universidades têm recebido esses jovens? Como as pessoas autistas têm experimentado a vida acadêmica universitária? Essa vivência tem sido geradora de sofrimento a esses alunos? Por quê? De que forma o psicólogo educacional inserido nesse contexto poderia contribuir?”, inicia Gandolfi.

Ele explica que, para tentar responder essas perguntas, a dupla fez pesquisa de campo e obteve respostas dos próprios estudantes autistas matriculados no ensino superior público e privado de São Paulo. “Os resultados obtidos pela pesquisa nos permitiram concluir que, quando não contribui para amplificar sofrimento já existente, a vivência no ensino superior tem provocado sofrimento psíquico intenso ou moderado, em sua maioria, decorrentes do tratamento dos professores para com esses alunos, da convivência com seus pares, da ausência ou pouca aplicabilidade de práticas inclusivas e dos poucos movimentos das universidades paulistas na construção de políticas afirmativas e inclusivas para atenção a esse público”, aponta.

Nesse cenário, segundo o graduando, é possível verificar a importância do psicólogo educacional como agente mediador entre estudantes, outros docentes, professores e/ou universidades. “A presença do psicólogo educacional, no seu campo de atuação, poderá auxiliar no atendimento direto a esses alunos quando identificado o sofrimento psíquico, apresentar propostas de intervenção e contribuir com a construção e adoção de práticas inclusivas pedagógicas, bem como contribuir na própria formulação do currículo e outras remoções de barreiras para toda comunidade acadêmica. Por fim, pode-se concluir que, para além de práticas inclusivas, esse sofrimento tem sido gerado pelo sentimento de não pertencimento dos alunos autistas à comunidade acadêmica, decorrente dos fatores listados e desencadeadores do seu sofrimento psíquico”, alerta Gandolfi.

O estudo, em sua visão, possui importante relevância social, “não apenas por evidenciar possibilidades da identificação do sofrimento e as dificuldades experimentadas pelos universitários autistas, como também por possibilitar novos campos de estudo, impulsionar novas pesquisas relacionadas às pessoas com deficiência matriculadas no ensino superior, e dar luz à sociedade dessa temática, com o objetivo de construir pontes que diminuam as distâncias e, consequentemente, esse sofrimento”.

“Além disso, pensar e promover uma educação inclusiva é passo fundamental para o processo de transformação social. Compreender a realidade e as necessidades dos alunos com Transtorno do Espectro Autista – TEA, assim como outros alunos com necessidades educacionais especiais, assumir as fraquezas e ineficiências que ainda repousam na formação dos professores, nas estrutura institucional, nos currículos e na própria aplicação de políticas públicas – inclusive as já existentes -, bem como adotar medidas para saná-las, é medida que possibilitará o processo ensino-aprendizagem de forma digna e humana”, afirma Gandolfi.

Fachini reforça que o TCC de seus orientandos destaca a necessidade de adoção de práticas inclusivas institucionais para os universitários com TEA. “É destacável o sofrimento emocional desses estudantes durante sua passagem pela universidade. Digo passagem porque ela costuma ser curta. Frequentemente, o desfecho do ingresso desses jovens acaba sendo sua desistência ou interrupção do curso. Incompreensão e desconhecimento são aspectos recorrentes encontrados pelos universitários com TEA no contexto acadêmico”, finaliza o docente.

Redação

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