Cesta básica volta a subir em Araraquara e já consome quase 68% do salário-mínimo

Batata dispara 88% em maio e lidera alta dos alimentos; custo médio da cesta ultrapassa R$ 1.099

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O custo da cesta básica voltou a subir em Araraquara. Levantamento realizado pelo Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que o valor médio da cesta passou de R$ 1.065,51 em abril para R$ 1.099,54 em maio, um aumento de 3,19% em apenas um mês.

A alta foi puxada principalmente pelos alimentos, grupo que concentra a maior parte das despesas da cesta e que registrou aumento de 3,63% no período. Entre os produtos pesquisados, a batata foi o destaque negativo, com elevação de 88,1%, seguida pela cebola (23,3%), alho (14%) e feijão carioca (11,1%).

Segundo os pesquisadores do Núcleo de Economia, somente a batata adicionou R$ 18,15 ao custo médio da cesta básica em maio. O aumento do produto está relacionado ao encerramento da safra das águas, que marca a conclusão do ciclo agrícola de verão, e a menor oferta disponível no mercado, cenário observado também em outras regiões do país.

Outro item que pressionou o orçamento dos consumidores foi a carne bovina. O acém apresentou aumento de 4,5% no mês, reflexo do ritmo intenso das exportações brasileiras e da oferta mais restrita de animais para abate no mercado interno.

Apesar das altas, alguns produtos registraram redução de preços e ajudaram a amenizar o impacto para os consumidores. Entre eles estão o açúcar refinado (-9,5%), queijo muçarela (-7,7%), extrato de tomate (-4,8%) e café torrado e moído (-2,8%). A queda do café está associada ao avanço da colheita e às perspectivas de safra recorde para a temporada.

Peso crescente no orçamento familiar

Com o novo reajuste, a cesta básica consumiu em maio cerca de 67,8% do salário-mínimo vigente. Na prática, um trabalhador que recebe o piso nacional precisou dedicar aproximadamente 149 horas de trabalho para adquirir os produtos pesquisados.

Embora o resultado represente um aumento expressivo em relação ao mês anterior, o cenário ainda é mais favorável do que o observado há um ano. Em maio de 2025, a cesta básica comprometia cerca de 72,7% do salário-mínimo.

No acumulado de 2026, a cesta básica já registra alta de 4,88%, impulsionada principalmente pelos alimentos. Em contrapartida, na comparação com maio do ano passado, o custo total apresenta relativa estabilidade, com pequena redução de 0,43%.

Para Maria Clara Kirsch, economista do Sincomercio Araraquara, os dados reforçam a importância do acompanhamento contínuo dos preços e do planejamento financeiro das famílias, especialmente diante das oscilações provocadas por fatores climáticos, safras agrícolas e movimentos do mercado internacional.

“A alimentação continua sendo o principal componente do orçamento doméstico. Quando produtos básicos apresentam aumentos expressivos, como ocorreu com a batata neste mês, o impacto é sentido diretamente pelo consumidor. Monitorar essas movimentações ajuda a compreender tendências e orientar decisões de consumo”, destaca.

Sobre a pesquisa

A Pesquisa de Preços da Cesta Básica é realizada mensalmente pelo Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara e acompanha a evolução dos preços de 32 produtos distribuídos entre alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica.

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