quarta-feira, 29, maio, 2024

Prefeitura vai oficializar mudança de nome da Fonte Luminosa em homenagem a Bazani

Placa que altera a denominação do estádio será descerrada neste domingo (14), antes do jogo das Guerreiras Grenás com o Fluminense

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Neste domingo (14), às 16h, a Ferroviária enfrentará o Fluminense na Arena da Fonte Luminosa, em jogo válido pela 5ª rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino. Antes do jogo, às 15h30, será realizado um ato de descerramento da placa que passa a denominar o espaço esportivo como Estádio Municipal “Olivério Bazani Filho”, em homenagem ao maior ídolo da história da Ferroviária.

A mudança de denominação atende à Lei Ordinária n° 10.809 de 24 de maio de 2023, de autoria dos vereadores Fabi Virgílio (PT), Marcos Garrido (PSD) e Edson Hel (PV). Entretanto, uma emenda complementar manteve o antigo nome de “Doutor Adhemar Pereira de Barros” no pórtico da fachada e nas torres de iluminação, originais da época da construção e tombados pelo patrimônio histórico.

Os ingressos para a partida já estão à venda pelo site Total Ticket e mais informações sobre o jogo podem ser obtidas no site oficial da Ferroviária (www.ferroviariasaf.com).

A história de Bazani

Olivério Bazani Filho nasceu em 3 de junho de 1935, em Mirassol-SP, filho de Catarina Cardoso Bazani e Olivério Bazani. Sua família respirava o esporte. Seu pai foi zagueiro do Corinthians na década de 1930, enquanto a irmã, Nadir, se tornou jogadora profissional de basquete e o irmão, Óliver, o Bazaninho, foi jogador do São Paulo e do São Bento de Sorocaba.

Bazani começou jogando nas divisões de base do Clube Atlético Mogiano. Em seguida, passou pelo Rio Preto EC, até chegar à Ferroviária em 1954, onde jogaria com Dudu, que depois seria ídolo do Palmeiras. Sua passagem pela Ferroviária, como meia-esquerda, coincidiu com uma das melhores épocas do clube, que em 1959 ficou em 3º lugar no Campeonato Paulista de Futebol, à frente dos chamados “grandes” São Paulo, Corinthians e Portuguesa.

Também fez história com a Seleção Paulista ao conquistar o tetracampeonato de seleções. Excursionou com a Ferroviária pela Europa e África, fazendo amistosos com clubes do porte de Belenenses, Futebol Clube do Porto, Atlético de Madrid e Sporting Clube de Portugal.

Entre 1963 e 1965, jogou no Corinthians. Em 1966, voltou ao time de Araraquara e ajudou a conquistar o título da segunda divisão e a volta à divisão principal, sendo o artilheiro da competição, com 16 gols. Bazani ainda comandou o ataque da Ferroviária no Tricampeonato do Interior, conquistado em 1967, 1968 e 1969. Em 1968, a Ferroviária ficou novamente em 3º lugar no Paulista.

Bazani foi o profissional que mais atuou nos gramados com a camisa da Ferroviária (758 jogos como jogador e 220 como técnico). Encerrou sua carreira de jogador em 1973, mas seguiu vivendo a Ferroviária, em funções administrativas e também como técnico, tanto do time principal quanto das categorias de base. Pelo time profissional, Bazani atuou como treinador em 220 jogos e comandou o time na memorável campanha do Paulistão de 1985, onde chegou à semifinal. Ele também foi fundamental na revelação de inúmeros talentos da equipe nesse período.

Além do esporte, Bazani formou-se como cirurgião dentista na Faculdade de Odontologia da Unesp, exercendo essa profissão paralelamente ao futebol. Casou-se com Maria Inês Fernandes, com quem teve Olivério Bazani Neto e Marinês Bazani. Após o falecimento da primeira esposa, casou-se com Aparecida Castro Bazani. Da união, nasceu Ana Carolina Bazani. Bazani faleceu em 13 de outubro de 2007.

Por sua importante trajetória no esporte de Araraquara, Bazani está eternizado em diversos espaços da cidade. Em 25 de novembro de 1997, por meio do Decreto Legislativo nº 349/1997, foi-lhe conferido o título de “Cidadão Araraquarense”. Em 29 de fevereiro de 2004, ele foi homenageado ainda em vida na inauguração da área de lazer do bairro do Jardim Roberto Selmi Dei, localizada na Rua Juiz de Direito Carlos Alberto Melluso, esquina com Avenida Alziro Zarur, tendo oficialmente seu nome atribuído ao espaço em 23 de agosto de 2010.

Em 18 de abril de 2007, foi inaugurado na Fonte Luminosa o busto de Bazani, em um jogo comemorativo entre Ferroviária e Corinthians, em uma homenagem organizada pelo prefeito Edinho e pela esposa de Bazani, Aparecida. A obra, produzida pelo artista plástico Wagner Gallo, está exposta na entrada do estádio.

E, por meio da Lei Ordinária nº 10.809, de 24 de maio de 2023, o mais famoso dos jogadores da Ferroviária teve seu nome eternizado no Estádio Municipal da Fonte Luminosa, casa do time do coração de Araraquara. Com seu futebol jogado junto à Ferroviária, Bazani, ídolo máximo grená, levou o nome de nossa cidade pelo Brasil e continente afora.

Fonte Luminosa

Fundado no dia 10 de junho de 1951, o Estádio da Fonte Luminosa é um dos mais tradicionais palcos esportivos do futebol brasileiro. Com uma rica história marcada por jogos inesquecíveis, ídolos lendários, espetáculos memoráveis e públicos eufóricos, o estádio teve sua construção iniciada em 1950, graças à persistência de Antônio Tavares Pereira Lima, engenheiro da Estrada de Ferro Araraquara (EFA) e fundador da Associação Ferroviária de Esportes, clube que foi instituído oficialmente em 11 de abril de 1950. Em seu jogo de inauguração, a Ferroviária recebeu o Vasco da Gama e perdeu por 5 a 0. A Locomotiva voltou a jogar no estádio em 8 de agosto do mesmo ano, quando venceu o Barretos pelo Campeonato Paulista por 2 a 1, com dois gols de Dirceu.

O novo estádio araraquarense recebeu o nome oficial de Dr. Adhemar de Barros, que era um dos políticos mais influentes da época, que na ocasião acabava de concluir seu mandato de governador de São Paulo. A homenagem se deu pela estreita relação do político com a EFA. 

Já o apelido de Fonte Luminosa foi dado pela proximidade com a primeira Estação de Tratamento do Departamento Autônomo de Água e Esgoto (Daae), onde o chafariz luminoso já chamava a atenção como um dos principais cartões postais da cidade. Mas a Fonte só se tornou realmente ‘luminosa’ no final da década de 50. Em 8 de outubro de 1958, em um duelo de aspirantes, a Ferroviária venceu a Ponte Preta por 3 a 1, no primeiro jogo noturno do estádio. Os refletores foram inaugurados oficialmente em 15 de abril de 1959, em novo amistoso contra o Vasco, dessa vez com empate por 3 a 3. Desde então, foram inúmeras partidas e shows que levaram muita emoção aos públicos que marcaram presença no local.

Em 2004, em razão do alto número de dívidas do clube, o Estádio da Fonte Luminosa correu o risco de ir a leilão. Foi quando o prefeito Edinho, em seu primeiro mandato, comandou uma negociação que envolveu a venda do antigo Estádio Municipal para o Clube Araraquarense e a compra do Estádio da Fonte Luminosa pela Prefeitura. A ação serviu para pagar dívidas do clube, que já havia dado sinais de uma nova mentalidade de gestão com a implantação do clube-empresa em 2003.

Entre o final de 2008 e início de 2009, novamente por intermédio de Edinho junto ao Ministério dos Esportes, o estádio passou por uma ampla remodelação, inaugurada em 22 de outubro de 2009, com a vitória afeana por 2 a 1 sobre o Ituano pela Copa Paulista. Desde sua reinauguração, não faltou emoção aos araraquarenses nas arquibancadas do estádio, com conquistas do time masculino, feminino, categorias de formação e também do futebol amador da cidade, além de jogos do Brasileirão, dois amistosos da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, entre outros.

Redação

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