Darcy Dantas
Há uns dias, conversei ao telefone, como vez com outra faço, com um amigo de muitos anos.
Fala tudo o que acha correto e não tem receio de magoar se correto está. E, “meio mineiro”, vai direto ao ponto. Deu-me uma lição.
No vai e vem da conversa, me disse que lia minhas crônicas. Eu, sem pensar, exclamei: “Que vergonha”. Ele, um tanto sério, me disse: “Se tem vergonha, não escreva”. É uma verdade.
Escreva e banque.
Quando o Projeto Gedera, que culminou no livro “Mosaico Literário”, com participação de jovens do ensino médio e funcionários das escolas, descobrimos pessoas que escrevem muito.
Descobrimos, posso até arriscar, talentos. Tiveram eles a oportunidade.
Escrever é um dos meios pelos quais podemos construir mundos e desvendar mistérios nos quais nós e as pessoas se refugiam das tristezas. A vida é uma inspiração, mas podemos com olhar de cobrança dizer: “Você poderia ser mais justa”. Escrever é aprender, é ter disciplina, é superar limites, é fazer cobranças, até da vida. Mas é um prazer que vale muito pois a torna prazerosa de se viver. Escrever é isso, seja o texto do tamanho que for, é colocar nossos anseios e mágoas no papel sem medo. Escrever não é ser direcionado, é ser você, com suas dúvidas e certezas. Fazer com que outros tenham a oportunidade e a vontade de escrever é tentar embasar esse “outro”, principalmente os jovens, no caminho do escrever. No livro citado, não há nada que o comprometa, pelo contrário.
Se nos propusemos a escrever, vamos em frente, dando abertura para que todos que possuam essa verve escrevam. E os que não possuem que a busquem.
Um adendo que creio importante. Podemos falar sobre uma pessoa ou sobre um acontecimento local, sem tornar nosso texto específico, para que a sua escrita seja, de preferência, uma escrita universal. Muitos haverão de gostar, outros não. Mas a reflexão sempre acontecerá. Escrever é contar histórias, ora instigantes, entre outras, mas sem tirar, se possível, de seu texto sua “uni-versatilidade”.
Assim penso, assim tento. “Escrevamos para todos os homens”, como disse Jean Paul Sartre.




























