A ovelha negra da família

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Genê Catanozi

Quanto não se ouvia e ainda se ouve falar em “ovelha negra da família”. Pois é, essa ovelha negra como muitos podem pensar e rotular, já há muito tempo deixou de ser aquela pessoa que recebia toda a carga negativa que perambulava dentro de um ambiente familiar.

A ovelha negra sempre foi o centro das discussões familiares, era ela quem recebia a descarga das porcarias (neuroses) familiar, e no final tinha que pagar todas as contas não pagas pelos membros “doentes” da família. Para a família se livrar dos problemas mal resolvidos, a ovelha negra arcava com todos os pesos nos ombros. Hoje, sabemos que a ovelha negra nada mais é do que o único membro saudável, pois é na ovelha negra que centralizam e direcionam todas as neuroses não tratadas pela família.

A família mal resolvida e que esconde os seus bloqueios e os seus mais secretos desejos, injetam na ovelha negra tudo quanto é tipo de sentimento mal resolvido. Ao nascer um membro da família é escolhido conscientemente ou inconscientemente para ser o carregador dos males. Ao passar dos anos, essa ovelha acaba assumindo papéis que não são dela, e o que é pior, acredita piamente que ela nasceu assim e nunca irá mudar. Esse modo de pensar e de agir satisfaz plenamente os outros membros. E é isso mesmo que eles querem, assim fica tudo mais fácil empanturrar a ovelha. A ovelha acaba tendo todos os sintomas psicológicos de uma família desequilibrada e desajustada.

A ovelha negra, geralmente não consegue dar certo em quase nada, tudo o que tenta fazer acaba por inacabado, e aí ela não se conforma, mas, para segurar a barra dos outros da família às vezes se rebela, e quando isso acontece todos tratam de dizer que ela é “a ovelha negra da família”.

Esses sintomas há anos atrás eram reconhecidos como uma pessoa fraca e sem condições de assumir qualquer coisa, pois seu comportamento era inadequado, por isso algumas famílias deitavam e rolavam em cima desse rótulo. O mundo evoluiu, pesquisadores da psicologia sistêmica familiar redirecionaram esses comportamentos, e começaram a reconhecer que o problema não estava nela, e sim, na família que se esconde por trás dela.

O problema agora está como encarar essa descoberta, como mexer no ninho, pois, ser um catalisador das neuroses alheias é um peso muito grande e que traz junto um mundo de preconceitos.

A ovelha negra traz consigo uma marca que a diferencia do seu ambiente familiar, ela é mais intuitiva, mais criativa, mais dinâmica, mais determinada, mais tudo, por isso os membros da família depositam nela todas as porcarias das neuroses, pois sabem que se ela for de outro jeito, ela tranquilamente seria a líder da família. Isso quer dizer que, todos os outros membros familiares são fracos e impotentes diante dos conflitos existentes dentro do ambiente familiar e do mundo, e para tentarem se livrar elegem aquele que possui mais qualidades para dar certo na vida, e assim tentam neutralizá-lo.

Sabendo disso conscientemente ou inconscientemente, todos se unem e começam a jogar contra aquele que é o melhor.

Este tipo de comportamento está em todos os lugares e em todas as frentes da conduta humana. A ovelha negra que consegue deixar de ser o catalisador das neuroses alheias, normalmente se transforma em escritores, cientistas, enfim, grandes gênios.

Para isso, necessita de ajuda de outras pessoas que possuem outro olhar, isto é, um olhar de lince.

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