segunda-feira, 20, maio, 2024

Escola do Legislativo da Câmara realiza curso de formação sobre autismo

A presidenta da EL, a vereadora Luna Meyer (MDB) enalteceu a importância de abordar o assunto

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O Plenário da Câmara Municipal de Araraquara ficou lotado durante a manhã desta segunda-feira (29), onde foi realizado, também no modo online, o Curso de Formação Básica sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), aplicado pela psicopedagoga Karina Maia, que é coordenadora executiva de saúde da pessoa com autismo do Centro Municipal de Referência do Autismo “Aldo Pavão Junior” (CMRA).

A iniciativa da Escola do Legislativo (EL) integra o Fórum Municipal Abril Azul – Conscientização do Autismo, instituído pela Resolução nº 531/2023 e contou com a participação de mais de 100 pessoas entre mães, pais e profissionais da área, com o propósito de promover a conscientização, a inclusão e o respeito às pessoas com autismo.

A ação tem parceria com o CMRA e, de acordo com a presidenta da EL, a vereadora Luna Meyer (MDB), a realização do curso é crucial, já que o assunto é desconhecido até mesmo por profissionais que atuam com pessoas com autismo.

Alta demanda

“Por mais que seja amplamente divulgado o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a gente percebe o quanto a nossa sociedade está despreparada e isso se reflete diretamente nos recursos que são direcionados para essa pauta. O poder público ainda não mensurou a quantidade de pessoas com autismo, tanto que no CMRA existe fila de atendimento porque não há recurso necessário para suprir essa demanda”, destacou a parlamentar.

Aspectos importantes

Durante quatro horas de curso, Karina abordou vários aspectos do TEA, iniciando a explanação pela definição e diagnóstico, contribuições genéticas e ambientais para o desenvolvimento do transtorno, pesquisas recentes sobre as causas do autismo, identificação de fatores de risco e prevenção. A explanação também englobou sinais do TEA, variação de níveis de suporte e funcionamento cognitivo no espectro autista, comorbidades frequentemente associadas ao TEA, importância da detecção e intervenção precoce, desafios e controvérsias no diagnóstico do autismo, avaliação multifatorial, abordagens terapêuticas, papel da equipe multidisciplinar no manejo do TEA e orientação parental, além de esclarecimento de dúvidas.

“Estou falando sobre a história para entenderem o quanto o autismo é complexo até hoje, porque ao tentarmos analisar indivíduos com TEA observamos que as evidências são de diferentes comportamentos. A definição do Manual Diagnóstico Saúde Mental (DSM) caracteriza e cita critérios para avaliação do autismo e, no DSM 1 (1952), o autismo era caracterizado como esquizofrenia. Já no DSM2 (1968) o autismo foi separado da esquizofrenia, mas ainda definido como um tipo de psicose infantil”, explicou Karina.

Visão abrangente

Segundo a palestrante, as mudanças nos DSMs influenciaram significativamente a forma como o autismo é diagnosticado, compreendido e tratado, promovendo uma visão mais abrangente e precisa do espectro autista.

“O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um conjunto de comportamentos que afeta cada indivíduo de modo e níveis diferentes com uma ampla variedade, por isso chamamos de espectro. O autismo é uma condição neurológica permanente que atinge o cérebro em maturação e que interfere em áreas importantes do desenvolvimento”, pontuou a psicopedagoga. Autistas não apresentam uma característica física que os diferenciam das outras pessoas, portanto é perceptível através do seu comportamento”, completou.

Números

Para Karina, não existe a consolidação do número de pessoas com autismo em Araraquara, mas a demanda para atender essa população é crescente. “Os dados atuais representam um aumento de 33% em relação ao estudo anterior de 2020 (1 pessoa para cada grupo de 54). “Numa transposição dessa prevalência de 2,77% da população teríamos hoje 6 milhões de pessoas com autismo no Brasil”.

Tríade de sucesso

Apesar de não ter cura, o tratamento do autismo é capaz de melhorar a comunicação, a concentração, o comportamento, auxiliando na qualidade de vida do próprio autista e da família dele. “Nesse sentido, o sucesso do tratamento passa pelo viés da família, da escola e clínica médica. Todos têm responsabilidade igual. A melhor terapia depende de cada caso, sendo a intervenção direcionada”, orientou Karina.

A palestrante finalizou o curso, falando sobre inclusão, amor, empatia e respeito, valores considerados imprescindíveis para gerar oportunidades para todas as pessoas, especialmente àquelas com autismo. “Agradeço a oportunidade de falar de um tema tão importante, porque falta esclarecimento. Além do conhecimento, o fórum contribuiu para promover a conscientização da condição da pessoa com TEA”, concluiu Karina.

Redação

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