Ser um gentista

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Genê Catanozi

Como disse Guimarães Rosa: “Mestre ou Doutor não é quem ensina, mas aquele que, de repente aprende”. Psicólogos, médicos, sociólogos, administradores, engenheiros, estudantes de todas as áreas do conhecimento humano e relações humanas e que de alguma forma se encaixam no termo “mestre ou doutor”, tem a necessidade de aprender a ser um “gentista”.
O que é ser ou se tornar um “gentista” nestes novos tempos? Segundo Jack Welch, ex-presidente da General Eletric, diz em seu último livro “Paixão para vencer”: “O sucesso diz respeito exclusivamente ao seu crescimento emocional”. Fernando Pessoa no seu “Poema em linha reta” diz: “Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente de verdade neste mundo?” O próprio Guimarães Rose diz: “A beleza não está partida e nem na chegada, mas sim na travessia”.
O mundo, portanto, não está à procura só de líderes ou profissionais de sucesso, mas de “Gentistas”. Gente como a gente, isto é, gente cuidando de gente, e ponto final. O resto é só especulação barata para vender “best-sellers”.
Já Gabriel Garcia Marques em uma de suas grandes inspirações coloca o homem no seu devido lugar, não é à toa que se tornou um grande escritor da observação do comportamento humano. Suas obras dignificam e põe em xeque todos os comportamentos supostamente aceitos e nem sequer criticados pela sociedade, segundo ele, uma sociedade alienada e altamente excluídora. Vamos ao seu poema.
“Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas certamente pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria, quando os outros falassem, e gozaria um bom sorvete de chocolate embaixo de uma bela chuva. O quanto apertaria as campanhias das casas e sairia correndo.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, me vestiria com simplicidade, e me jogaria de bruços no chão, deixando a descoberto não apenas meu corpo, mas minha alma também. Se eu tivesse um coração, escreveria todo o meu ódio sobre uma pedra de gelo qualquer e esperaria com prazer o sol nascer.
Aos homens, lhe provaria como estão enganados ao pensar, que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar. A uma criança, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha. Aos velhos, ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens. Aprendi que, todo mundo quer viver no topo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a montanha. Aprendi que, quando um recém nascido aperta com sua pequena mão pela primeira vez o dedo do seu pai, o tem prisioneiro para sempre. Aprendi que, um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo, para ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa mala, infelizmente estarei morrendo”.
E já que ninguém nasceu de chocadeira, o negócio é tentar sair da zona de conforto e botar a mão na massa.

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