| Desde o dia 1º de janeiro de 2026, passou a valer em todo o território nacional o novo valor do salário-mínimo. O reajuste foi confirmado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento após a divulgação dos dados oficiais de inflação e representa um aumento de 6,79% em relação ao valor vigente até dezembro de 2025. Apesar de o novo piso entrar em vigor em janeiro, os trabalhadores passam a receber o valor reajustado a partir dos salários pagos em fevereiro. Com a atualização, o salário-mínimo nacional passa a ser de:R$ 1.621,00 (mil seiscentos e vinte e um reais) por mês;R$ 54,03 (cinquenta e quatro reais e três centavos) por dia (R$ 1.621,00 ÷ 30 dias);R$ 7,37 (sete reais e trinta e sete centavos) por hora (R$ 1.621,00 ÷ 220 horas).O novo valor representa um aumento nominal de R$ 103 em relação aos R$ 1.518 praticados até o fim de 2025. É importante destacar que, nos estados que possuem salário-mínimo regional, como São Paulo, esse piso estadual deve ser observado sempre que for superior ao valor nacional, assim como os pisos definidos em convenções ou acordos coletivos de trabalho, que prevalecem sobre o mínimo federal. Impactos para as empresas Embora o reajuste do salário-mínimo já estivesse previsto no orçamento federal, é fundamental que as empresas adotem cuidados na aplicação do novo valor, especialmente nas áreas de recursos humanos e departamento pessoal. Segundo Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade, a atualização não deve ser confundida com reajustes decorrentes de dissídios coletivos. “O aumento do salário-mínimo não altera os dissídios coletivos já negociados em 2025 e não gera reajuste automático para trabalhadores que recebem salários acima do novo piso nacional. A obrigatoriedade de ajuste ocorre apenas nos casos em que a remuneração esteja abaixo do salário-mínimo vigente ou do piso regional ou convencional aplicável”, explica Domingos. Outro ponto relevante é que benefícios previdenciários e valores atrelados diretamente ao salário-mínimo também são reajustados automaticamente. A legislação trabalhista estabelece ainda que o pagamento do salário, independentemente da modalidade de contratação, não pode ser estipulado por período superior a um mês. “Quando o pagamento é mensal, ele deve ser realizado, no mais tardar, até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido, sendo o sábado considerado dia útil para esse fim”, reforça Richard Domingos. Diante do novo valor, as empresas devem adotar, especialmente no mês de janeiro de 2026, as seguintes providências:Atualizar os salários-base que estejam abaixo do salário-mínimo aplicável (nacional, estadual ou convencional);Revisar pró-labores e demais valores que tenham como referência o salário-mínimo. Como os trabalhadores devem utilizar o novo valor O reajuste do salário-mínimo em 2026 garante ganho real acima da inflação, mas, na prática, exige cautela no uso do novo valor. Para o presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), Reinaldo Domingos, o aumento deve ser encarado como uma oportunidade de reorganização financeira, e não como estímulo ao consumo imediato. “A inflação sentida pelo trabalhador no dia a dia, especialmente em itens básicos, muitas vezes é maior do que a apontada pelos índices oficiais. Mesmo assim, esse reajuste pode ser a chance de colocar as finanças em ordem, sair das dívidas e começar a planejar o futuro. Ganhar um pouco mais não significa que se deve gastar mais”, alerta Domingos. Segundo o especialista, o momento é ideal para rever o orçamento familiar, reduzir gastos desnecessários e, sempre que possível, iniciar ou reforçar o hábito de poupar. “O ideal seria que esse aumento fosse tratado como um bônus voltado para objetivos futuros. No entanto, muitas pessoas acabam utilizando o reajuste apenas para cobrir desequilíbrios financeiros já existentes”, avalia. Para quem consegue poupar, essa deve ser a prioridade, já que os juros passam a trabalhar a favor. Para aqueles que estão endividados, a recomendação é direcionar o aumento para a quitação ou renegociação de dívidas. “Só sabe exatamente quanto pode gastar quem conhece detalhadamente quanto entra e quanto sai do bolso todo mês. Esse controle é essencial, inclusive para avaliar financiamentos e compras parceladas, considerando todas as despesas e os objetivos de curto, médio e longo prazo”, explica. Antes de utilizar o reajuste de forma impulsiva, a orientação é realizar um diagnóstico financeiro completo: listar despesas fixas e variáveis, identificar gastos supérfluos, verificar o nível de endividamento e avaliar se novas compras realmente cabem no orçamento. “Quem está financeiramente equilibrado, mas ainda não tem o hábito de poupar, pode aproveitar o aumento para iniciar uma reserva financeira. Já quem possui perfil investidor pode usar esse reajuste para reforçar aplicações existentes ou planejar a independência financeira, por meio de investimentos como a previdência privada”, conclui o presidente da Abefin. |
Salário-mínimo sobe R$ 103 em 2026: o que muda para empresas e trabalhadores
Os trabalhadores passam a receber o valor reajustado a partir dos salários pagos em fevereiro






















