Isabela Mattos/Colaboração
O vereador Aluísio Braz, o Boi (MDB), vem se mostrando preocupado com a situação da saúde em Araraquara e, principalmente, com as grandes filas de espera por uma vaga de internação nas Unidades de Pronto Atendimento da cidade.
Procurado pela reportagem de O Imparcial, o parlamentar fez uma retrospectiva a respeito dos avanços e entraves que ainda existem nessa área, desde o início de seu primeiro mandato, no ano de 2009, até os dias atuais.
Leia a entrevista na íntegra:
O Imparcial: Esse é o seu quarto mandato no Legislativo, qual comparativo você faz a respeito da saúde em Araraquara de 2009 para os dias atuais?
Aluísio Boi: “Desde 2009 acompanho de perto a realidade dos bairros de Araraquara. Naquela época, a cidade tinha menos habitantes, mas enfrentava muitas dificuldades na saúde básica e também no atendimento de urgência e emergência. Havia apenas um pronto-socorro, na Vila Xavier, que hoje é o CEO (Centro de Especialidades Odontológicas) da Vila.
Ao longo desses anos, vi grandes conquistas. Nas gestões do prefeito Marcelo e, depois, do prefeito Edinho, foram construídas, ampliadas e reformadas diversas unidades básicas de saúde. Aqui na minha região, por exemplo, tivemos melhorias no Jardim América, Biagioni, Parque São Paulo, Altos do Pinheiros e Jardim Pinheiros, além de vários outros bairros da cidade. Também acompanhei a implantação da Estratégia Saúde da Família, iniciada no governo Marcelo. Muitos postos passaram a funcionar como PSFs, levando médicos e equipes até as casas das pessoas. O mais recente é o do Jardim Iguatemi. Esse modelo fortalece a saúde preventiva, acompanhando as famílias antes que os problemas de saúde se agravem.
Outra grande conquista foi a criação das três UPAs, nas regiões Norte, Central e Vila Xavier. Antes disso, não existia nenhuma UPA em Araraquara. Posteriormente, elas ainda passaram por reformas durante o governo Edinho. Isso ampliou muito a capacidade de atendimento da população. Também destaco a criação do Centro Especializado em Reabilitação, que atende pessoas com deficiência física, motora, auditiva, além de pacientes com autismo e outras necessidades específicas. É um serviço que a cidade não tinha e que representa um avanço importante.
O que vi ao longo desse período foi um fortalecimento da saúde básica e da prevenção. Quando se investe em prevenção, é possível tratar as doenças antes que elas se agravem, evitando que as pessoas precisem de cirurgias, internações ou sobrecarreguem as UPAs e os hospitais. Esse foi um dos grandes avanços da saúde em Araraquara nesses últimos anos.”
O Imparcial: Quais desafios você acompanhou durante esses anos na Câmara e viu que foram vencidos? E quais desafios você tem acompanhado de perto atualmente e notado que existe uma urgência a serem resolvidos?
Aluísio Boi: “Fiquei quatro anos fora da Câmara após disputar a eleição para prefeito em 2016. Quando retornei, em 2021, eleito vereador e presidente da Câmara Municipal, encontrei o momento mais difícil da história recente da saúde pública de Araraquara: a pandemia da Covid-19. Foi um período muito duro. Perdemos muitas vidas e, no início, ainda havia muita incerteza sobre a doença. Naquele momento, como presidente da Câmara, vivi de perto todos os desafios enfrentados pelo município.
Os hospitais estavam lotados, foi preciso investir em insumos, medicamentos, equipamentos, na fábrica de oxigênio e reforçar as equipes de saúde, segurança e trânsito, que trabalhavam intensamente durante aquele período.
A Câmara continuou funcionando de forma remota. Realizamos a primeira sessão online da história do Legislativo. Embora os vereadores participassem de casa, eu precisava ir diariamente à Câmara para conduzir as sessões e garantir a votação dos projetos que liberavam recursos para o enfrentamento da pandemia.
Também acompanhei de perto o trabalho do então secretário da Saúde, juntamente com toda a equipe da pasta, buscando alternativas para salvar vidas e garantir os recursos necessários para enfrentar aquele momento tão crítico. Mesmo com todo o esforço realizado, infelizmente muitas pessoas perderam a vida e outras ficaram com sequelas causadas pela Covid-19. Sem dúvida, foi o período mais difícil que presenciei na saúde pública de Araraquara.
Um dos principais desafios que ainda vejo na saúde é o reflexo deixado pela pandemia. Durante a Covid-19, praticamente todas as cirurgias eletivas precisaram ser suspensas. Pessoas que fariam cirurgias de hérnia, vesícula e diversos outros procedimentos não emergenciais tiveram que aguardar, porque os hospitais estavam voltados ao atendimento dos pacientes com Covid. Além das cirurgias, muitos exames também foram adiados. Naquele momento, as pessoas não podiam frequentar os hospitais, tanto para evitar a contaminação quanto porque toda a estrutura estava concentrada no enfrentamento da pandemia. Isso gerou uma demanda reprimida muito grande. Nos últimos anos, foram realizados mutirões para reduzir essa fila e houve avanços importantes. No entanto, ainda existem reflexos desse período, com pessoas aguardando a realização de cirurgias, exames e outros procedimentos. Esse é um desafio que a saúde pública ainda precisa enfrentar para normalizar completamente a demanda acumulada durante a pandemia.
O Imparcial: Usando como exemplo o caso das UPAS e dos pacientes que aguardam vaga para internação sem o mínimo de dignidade (sem alimentação, sem banho), o que pode ser feito de forma prática e urgente para sanar esse problema?
Aluísio Boi: “Araraquara tem uma rede muito importante de unidades básicas de saúde espalhadas por toda a cidade. Na minha visão, precisamos fortalecer ainda mais esse atendimento de prevenção. É fundamental garantir que não faltem medicamentos para a população, principalmente para quem não tem condições financeiras de comprá-los. Quando faltam medicamentos para controlar doenças como hipertensão, diabetes, problemas cardíacos, circulatórios e respiratórios, essas doenças acabam se agravando. Em vez de serem acompanhadas na atenção básica, os pacientes acabam procurando as UPAs, aumentando a demanda por atendimentos de urgência e, muitas vezes, por internações.
Outro desafio é dar continuidade aos mutirões, com apoio dos governos estadual e federal, para reduzir a fila de cirurgias eletivas que ficou represada durante a pandemia. Enquanto aguardam, essas pessoas acabam recorrendo várias vezes às UPAs por causa das dores e complicações. Chega um momento em que a situação se agrava tanto que a cirurgia precisa ser feita em caráter de urgência, quando poderia ter sido resolvida de forma programada.
Por isso, acredito que precisamos fortalecer a atenção básica, ampliar os mutirões para reduzir essa demanda reprimida e, ao mesmo tempo, melhorar a estrutura do Hospital do Melhado, que hoje funciona como hospital de retaguarda.
Já conversamos sobre esse assunto com o prefeito e com a secretária de Saúde. Existe um estudo para ampliar a capacidade de atendimento da unidade, aproveitando o espaço disponível. A ideia é oferecer uma estrutura mais adequada para os pacientes que aguardam internação, com leitos, alimentação, banho, acompanhamento e realização de exames, garantindo mais dignidade enquanto esperam pelo procedimento ou até serem encaminhados para acompanhamento ambulatorial na unidade de saúde do seu bairro.
Essa é a minha visão sobre os desafios da saúde pública hoje e sobre os caminhos que acredito serem necessários para melhorar o atendimento à população”, finalizou Boi.
Trajetória política
A trajetória política de Boi começou em 2000, quando se candidatou pela primeira vez ao cargo de vereador, obtendo 832 votos e ficando como suplente. Em 2004, disputou novamente, alcançando 2.194 votos, mas mais uma vez como suplente. Sua primeira eleição veio em 2008, quando conquistou 3.544 votos, sendo reeleito em 2012 com 3.219 votos. Durante esse período, atuou como líder do governo e presidente da Câmara Municipal (2011-2012).
Em 2016, lançou sua candidatura à Prefeitura de Araraquara, conquistando mais de 12 mil votos. Em 2020, retornou à Câmara Municipal como vereador eleito com 1.247 votos, sendo novamente presidente da Casa e, posteriormente, líder de governo. Já em 2024, com 2.277 votos, tornou-se o vereador com o maior número de mandatos da atual legislatura.




























