O avanço do preço do petróleo no cenário internacional, impulsionado por tensões geopolíticas e restrições na oferta global, já começa a refletir diretamente no bolso do consumidor brasileiro — e Araraquara não foge à regra. Dados do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara apontam que, em março, três dos quatro combustíveis analisados registraram alta no município, com destaque para o óleo diesel, que disparou 16,27% no período.
De acordo com o levantamento realizado com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a gasolina comum subiu 5,21% e o etanol hidratado avançou 0,70%, enquanto o gás de cozinha apresentou leve queda de 0,06%.
Na prática, a alta já se reflete no bolso do consumidor. O litro da gasolina passou a custar, em média, R$ 6,31 no município. No período, o preço variou entre R$ 5,48 e R$ 7,37 — uma diferença de R$ 1,89 (34,49%) entre os postos pesquisados.
Entre os 99 municípios paulistas avaliados, Araraquara registrou o 83º maior preço médio para a gasolina comum. O menor valor foi observado em Taubaté (R$ 5,99), e o maior, em Guarujá (R$ 6,87).
Etanol Hidratado
Em março de 2026, o preço médio do etanol hidratado em Araraquara apresentou aumento de 0,70%. O litro do combustível, que no mês anterior custava, em média, R$ 4,32, aumentou para R$ 4,35. No último mês, o preço mínimo registrado foi de R$ 3,79 e o máximo, de R$ 4,99 — uma amplitude de 31,66% entre o maior e o menor valor encontrado nos postos observados.
Considerando os 99 municípios paulistas avaliados pela pesquisa, Araraquara registrou o 88º maior preço médio para o etanol hidratado. O menor preço médio foi observado em Lins (R$ 4,08), e o maior, em Caraguatatuba (R$ 4,96).
Diesel puxa alta e acende alerta para toda a economia
O aumento mais significativo foi observado no óleo diesel, combustível essencial para o transporte de cargas e, consequentemente, para toda a cadeia de abastecimento.
Em março de 2026, o preço médio do óleo diesel em Araraquara apresentou incremento expressivo de 16,27%, após um semestre de relativa estabilidade. O litro do combustível, que no mês anterior custava, em média, R$ 5,96, aumentou para R$ 6,93 — um encarecimento de R$ 0,97.
Além da alta média, a pesquisa também identificou grande variação de preços entre os postos da cidade. No caso do diesel, a diferença entre o menor e o maior valor chegou a R$ 2,40 por litro, uma amplitude de 41,74%. Considerando os 97 municípios paulistas avaliados, Araraquara registrou o 47º maior preço médio. O menor valor foi observado em Itatiba (R$ 5,59), e o maior, em Bragança Paulista (R$ 7,65).
Gás de Cozinha
Em março de 2026, o preço médio do gás de cozinha em Araraquara apresentou queda de 0,06%. O botijão de 13 kg, que em fevereiro de 2026 custava, em média, R$ 114,35, passou para R$ 114,28 em março — um barateamento de R$ 0,07.
No último mês, o preço mínimo registrado foi de R$ 105,00 e o máximo, de R$ 125,00 — uma amplitude de 19,05%, ou R$ 20,00, entre o maior e o menor valor encontrado nas distribuidoras de gás.
Considerando os 96 municípios paulistas avaliados pela pesquisa, Araraquara registrou o 29º maior preço médio para o gás liquefeito de petróleo no período. O menor valor foi observado em Olímpia (R$ 92,04), e o maior, em São Bernardo do Campo (R$ 129,99).
Cenário internacional explica pressão nos preços
Segundo análise do Núcleo de Economia, o principal fator por trás da alta está no mercado global de petróleo. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, aliado ao bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, tem reduzido a oferta e pressionado os preços.
Em março, o barril do petróleo tipo Brent saltou de US$ 71,32 para US$ 126,69, chegando a ultrapassar US$ 138 no início de abril.
Esse movimento internacional já impacta diretamente o Brasil. Dados do IBGE indicam que o diesel registrou a maior alta mensal desde 2002, enquanto a gasolina teve a maior elevação desde julho de 2023, contribuindo significativamente para a inflação do grupo Transportes.
Variação de preços reforça necessidade de pesquisa antes de abastecer
Em Araraquara, o levantamento foi realizado em 17 postos distribuídos por diferentes regiões da cidade, evidenciando não apenas a alta nos preços, mas também a importância da pesquisa antes do abastecimento, diante das variações encontradas.
Para a economista do Sincomercio Araraquara, Maria Clara Kirsch, o momento exige cautela e acompanhamento constante: “A alta dos combustíveis está diretamente ligada ao cenário internacional e tende a impactar toda a cadeia de preços, especialmente por causa do diesel”.
Fiscalização e medidas tentam conter avanço
Diante do cenário de alta, o governo federal intensificou a fiscalização no setor. Entre março e abril, mais de 8 mil postos foram fiscalizados em todo o país, com milhares de notificações por possíveis irregularidades.
Além disso, medidas como subsídios e isenções tributárias estão sendo discutidas para tentar conter o avanço dos preços, especialmente do diesel.



























