Durante a realização do Fórum Unesp 50 Anos, nesta quarta-feira (13), no Memorial da América Latina, em São Paulo, um momento inusitado marcou a experiência da professora e pesquisadora Vanderlan Bolzani: um encontro casual com o escritor chinês Mo Yan, laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 2012. Vanderlan é professora titular do IQAr/Unesp e membro do Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
O evento reuniu intelectuais e pesquisadores de diferentes áreas, tendo como destaque a conferência do autor, reconhecido mundialmente por sua obra marcada por realismo crítico e sensibilidade social. Em sua fala, Mo Yan abordou o papel da literatura como instrumento de interpretação do mundo contemporâneo, destacando a importância do olhar crítico diante das transformações políticas, culturais e humanas.
Após o encerramento da conferência, já do lado de fora do auditório, Vanderlan aguardava um carro por aplicativo quando foi surpreendida pela aproximação do escritor, acompanhado de assessores. Em um gesto simples e inesperado, Mo Yan pediu que ela registrasse uma foto com ele. A pesquisadora atendeu prontamente ao pedido e, em seguida, solicitou que um dos assessores também fizesse uma foto em seu celular — imagem que se tornou um registro simbólico daquele encontro singular.
O episódio ultrapassou o caráter casual e se desdobrou em reflexão. Em artigo publicado posteriormente no JC On-Line da SBPC, Vanderlan destacou como a obra e a fala de Mo Yan reforçam a potência da literatura como espaço de liberdade e crítica. Segundo ela, o escritor evidencia que a arte não deve se submeter a narrativas únicas ou a imposições ideológicas, mas deve preservar sua capacidade de questionar, provocar e ampliar horizontes.
A pesquisadora também ressalta que, em contextos de tensão política e social, a literatura assume um papel ainda mais relevante: o de revelar contradições, dar voz à complexidade humana e resistir a simplificações. Para Vanderlan, o pensamento de Mo Yan dialoga diretamente com os desafios contemporâneos, nos quais a liberdade de expressão e o pensamento crítico precisam ser continuamente reafirmados.
Outro ponto destacado em sua análise é a capacidade do autor de transitar entre o local e o universal. Ao retratar a realidade chinesa com profundidade e nuances, Mo Yan alcança questões que ressoam globalmente, demonstrando que a literatura pode ser, ao mesmo tempo, profundamente enraizada e universal.
O encontro inesperado, portanto, não foi apenas um registro fotográfico, mas um catalisador de ideias. Ele sintetiza, em um instante, a conexão entre ciência, arte e pensamento crítico — pilares que marcaram o Fórum Unesp 50 Anos e que seguem fundamentais para a compreensão do mundo contemporâneo.
Foto: Divulgação































