Valor da cesta básica recua em Araraquara

Pesquisa do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta queda de 0,96% no custo médio da cesta em abril; inflação dos lácteos segue pressionando o orçamento

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O custo médio da cesta básica em Araraquara registrou queda de 0,96% em abril de 2026, segundo levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara. O valor médio passou de R$ 1.075,82 em março para R$ 1.065,51 no último mês, o que representa redução de R$ 10,32 no orçamento dos consumidores.
Apesar do recuo no valor total da cesta, produtos essenciais continuam pressionando o orçamento doméstico, especialmente os derivados do leite. Segundo Maria Clara Kirsh, economista do Sincomercio Araraquara, o comportamento dos preços mostra um cenário de inflação mais concentrada em itens específicos, especialmente ligados à alimentação.

“Mesmo com a redução no custo total da cesta básica, alguns produtos seguem pesando significativamente no orçamento das famílias. O queijo muçarela, por exemplo, registrou alta de 8,9% em abril e alcançou um dos maiores preços médios da série histórica local, refletindo um cenário de oferta mais restrita no setor leiteiro e aumento dos custos logísticos”, destaca.

A pesquisa aponta que dois dos três grandes grupos analisados apresentaram inflação em abril. O grupo de higiene pessoal teve aumento de 2,16%, enquanto os produtos de limpeza doméstica subiram 2,14%. Já o grupo alimentação, que possui maior peso no custo da cesta, registrou queda de 1,63%.

De acordo com o levantamento, a alta no preço do queijo muçarela foi a principal responsável pela pressão sobre o custo da cesta básica em abril, adicionando R$ 2,02 ao valor médio mensal em razão do aumento de R$ 4,03 por quilo. Segundo o IPCA-15 de abril, divulgado pelo IBGE, o leite e seus derivados sofreram inflação de 8,68% no estado paulista, acima ainda da média nacional. O leite longa vida, especificamente, subiu 20,57% no período. A alta é reflexo da oferta reduzida após a seca intensa registrada no fim de 2025 e início de 2026, que comprometeu a produção, somada ao aumento dos custos de transporte e frete. 

“O consumidor percebe um alívio em alguns produtos importantes, principalmente proteínas como carne bovina e frango, mas ainda enfrenta aumentos expressivos em itens que fazem parte do dia a dia. Isso mantém a sensação de orçamento apertado, mesmo em meses de desaceleração da cesta”, afirma Maria Clara.
Na outra ponta, a carne bovina de primeira — contrafilé — foi o item que mais contribuiu para aliviar o bolso do consumidor em abril, reduzindo R$ 6,11 no custo da cesta analisada. O levantamento também mostra que, no acumulado de dezembro de 2025 a abril de 2026, a cesta básica avançou 1,63%, enquanto nos últimos 12 meses apresentou queda de 1,89%.
Outro dado relevante da pesquisa é o impacto da cesta básica sobre o salário-mínimo. Em abril, o custo médio da cesta representou cerca de 65,7% do piso nacional vigente, equivalente a aproximadamente 144 horas e 36 minutos de trabalho para aquisição dos produtos pesquisados.
Segundo Maria Clara Kirsch, embora o indicador tenha melhorado em relação ao ano passado, o comprometimento da renda ainda segue elevado: “A alimentação continua consumindo uma parcela muito significativa da renda das famílias. Mesmo com a melhora frente ao ano anterior, o peso da cesta básica ainda exige atenção, principalmente para os consumidores de baixa renda”, avalia.
O cenário local destoa parcialmente do comportamento observado no restante do país. Segundo dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo DIEESE em parceria com a Conab, o custo dos alimentos aumentou em todas as 27 capitais pesquisadas em abril.
Entre os fatores nacionais que mais impactaram os preços estão a oferta restrita de batata pelo fim da safra, aumento da demanda por feijão e pressão internacional sobre a carne bovina.

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