Darcy Dantas
São inúmeras as situações em que nós, seres humanos, desconsideramos o outro. Segregamos quem não tem o mesmo tipo físico que o nosso, quem não tem a mesma raça que a nossa, quem não fala da mesma forma que nós, quem não desenvolve o mesmo trabalho que o nosso, quem não tem a mesma orientação sexual que a nossa, a mesma condição financeira,
quem não tem o mesmo Deus que o nosso, ou quem não tem Deus, enfim, quem não se comporta da mesma forma que nós. A impressão é que cada vez mais vivemos para segregar.
Odiamos e matamos até mesmo quem não torce pelo nosso time de futebol. E, assim, os seres humanos ainda inacabados vão passando pela vida, reduzindo essa postura reducionista, menor, imbecil, a de que “se você não está comigo está contra mim”. Odiamos, assim, o outro, tornando-nos cotidianamente inimigos de um sem-número de indivíduos. Tenho minha
ideologia, mas não vou odiar quem não a tem do mesmo modo. Vou combatê-lo, sim, como faço. Se tu não aceitas uma palavra que não seja a tua, isso é ódio disfarçado, e o ódio é doença. Tenho pena de ti de e todos que assim são o são. Firmeza, sim, mas sem ódio no coração. Não é porque o outro não cumpre seu dever cívico ou moral que vou odiá-lo, mas vou
combatê-lo. Minhas palavras são um desabafo porque cada vez mais o corpo, a alma e o cérebro, ao ver gente que cada dia odeia tanto o outro, vão se definhando, pois o outro é também um ser humano. Saibamos lidar com as nossas diferenças, firmes em nossos propósitos, mas sem ódio no coração. Jamais nos esqueçamos: o azul tem vários tons.





























