A dimensão da globalização

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Genê Catanozi

Como um trator, a globalização (o capital) tenta passar um rolo compressor em todas as direções. Na verdade, o que ela pretende é uniformizar as culturas dos países, impor o consumismo a todo custo e estimula de forma dura e sem humanismo o comportamento competitivo. A competitividade não é sinônimo de competência.

Segundo Milton Santos, a globalização é um sistema perverso, porque a sua fúria do lucro a todo custo, estão definindo um novo padrão que influencia o caráter das pessoas. Esse novo padrão já minou todos os conceitos e princípios éticos que a humanidade levou anos para construir. Com isto, a pessoa torna-se massificada, alienada, manipulada e atropelada por uma enxurrada de informações contraditórias que são veiculadas por imagens, e neste mundo, a “imagem” está sendo tudo. No meio disso, o indivíduo fica perdido e sem visão de valores que lhe permitam ser sujeito de sua própria história.

É, o caos provocado por essa “onda” de globalização, a pessoa que se propõe a refletir sobre valores que deem sentido à sua vida, provavelmente será ridicularizado e deixará ruir o mínimo de princípios éticos e morais que lhe resta. De acordo com Santarém, a pessoa é instigada a todo o momento para ser um vencedor, podendo utilizar “todos os meios” para atingir os seus objetivos, mesmo que tenha que atropelar os outros, ainda que lhe custe inimizades, discórdias, conflitos etc.

Vale lembrar que, a pessoa ao ter seu caráter corroído pelos vermes do individualismo, da competição desenfreada, do consumismo a todo custo, o ser humano deixa de ser humano.

Assim, o comportamento humano caminha centrado no ego defendendo interesses imediatistas e muitas vezes camuflado com gestos solidários. O que anda valendo é a esperteza e dela nasce a corrupção, com isto, menospreza-se a moralidade e gerando o descompromisso com o bem público, com a vida humana e a vida do planeta. O lema “cada um por si e Deus por todos” se multiplica como valor em todos os lugares, como se Deus assumisse o cuidado por todos aqueles que praticam o mal em seu nome.

Com o nível de tecnologia alcançado têm-se condição para disseminar o conhecimento na era do conhecimento, e ajudar no processo educacional para a formação sadia de sujeitos, entretanto o que se vê é a tecnologia sendo usada pelos interesses manipulatórios e confundindo os espíritos, impedindo o entendimento e o pensar claro dos acontecimentos e o pleno desenvolvimento do ser humano.

Segundo Santarém, em uma sociedade onde a velocidade das informações determina uma concentração maior sobre os problemas imediatos, há de se superar a velha tensão entre o curto e o longo prazos, assim como há de se buscar caminhos para que a competição não se torne ainda mais cruel a ponto de impedir que todos tenham oportunidades para se realizar como pessoa humana.

A globalização do mundo deveria também estar acompanhada por uma consciência moral e política à altura do que está em jogo neste momento atual.

O crescimento econômico e o desenvolvimento social devem estar centrados no ser humano única e exclusivamente, do contrário não se poderá falar em desenvolvimento sustentável e muito menos em crescimento dirigido.

Sendo assim, a educação do pensar é a única dimensão viável para transformar o cidadão em um agente transformador.

Portanto, mãos à obra que ninguém nasceu de chocadeira e nem grudado com ninguém.

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